Manuela Alves

November 13, 2009

FELICIDADE URGENTE!

Filed under: Contos — manuelalves @ 1:24 pm

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“E há uma grande vontade de viver, todo o nosso ser pede para viver, e, inflamado com a esperança mais ardente, mais cega, o nosso coração parece desafiar o futuro, com todo o seu mistério, com todo o desconhecido, ainda que em tempestades e tormentas, contanto que isso seja vida!”

Dostoiévski

Ultimamente dei para observar para onde nos leva a vida. O que ela nos oferece. As oportunidades que agarramos e aquelas as quais deixamos passar. As conseqüências dessas escolhas e o impacto que elas causam. Tenho pedido para me contradizer. Não pensar muito e agir mais. Assim, de impacto e por vontade própria. Tirar os pés do chão e enlouquecer só um pouquinho, porque tenho sentido falta da minha ausência de meta e do meu sorriso mais puro. Ando vendo que a vida endurece as pessoas e não quero ter o olhar triste a o coração amargo. Peço para ter sempre o coração aberto e a vontade de entregá-lo sem pestanejar a quem pedir ou precisar dele. Quero poder cantar em voz alta e não ser taxada como louca ou jogar conversa fora sem que pra isso precise ser julgada quanto as minhas frases tortas, cheias de rima e metonímias, porque sou poesia e transbordo estrofes em todas as frases. Preciso voltar a caminhar descalça sem o medo iminente de ferir os pés, só pelo fato de que precisamos correr certos riscos para ser feliz. Olhar mais no interior dos meus amigos para voltar a conhecê-los como há anos atrás, pelo olhar e a sonoridade das palavras. Deixar de observar apenas o borrão da essência de cada um, porque lá no fundo sempre podemos doar mais do que geralmente oferecemos. Preciso me reinventar dentro de minhas próprias teorias, abandonar a seriedade dos adultos e abraçar mais o mundo de fantasia das crianças, que são felizes por não guardar rancor ou preocupação e vivem um dia de cada vez, na certeza de que o amanhã sempre será melhor do que o hoje. Preciso viver, como há muito já não vivo. Ler por prazer, escrever por instinto e sorrir por necessidade. Jogar por diversão e não por competição, doar por vontade e não por obrigação, calar por prudência e não por censura e principalmente amar por entrega e não por paixão. A efemeridade das coisas é que nos faz temer a rendição e ultimamente tenho pedido coragem para caminhar no escuro sem ninguém para me guiar e ser capaz de discernir sobre as minhas próprias escolhas, sem deixar, por medo de errar, a oportunidade passar.

November 5, 2009

O TEMPO DIRÁ

Filed under: Contos — manuelalves @ 9:58 pm

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Foto: Alicina

“O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazem.”

Stephenie Meyer

E mesmo gostando da lua, aprendeu a viver no sol só porque ela gostava do brilho das manhãs. Por mais que se dissesse disposto a continuar tentando, era visível o seu cansaço diante da batalha. Era um guerreiro por natureza e não baixava a guarda nunca, talvez por isso ainda continuasse investindo em algo que já não lhe trazia nenhum lucro. Não estava acostumado a ser aquela pessoa que estende a bandeira branca num campo de guerra, e então continuava avançando alguns desníveis, mesmo que fosse necessário perder todos os seus exércitos, um a cada tentativa em ganhar um pouco mais de terreno. Estava disposto a tudo para fazer dar certo, até deixar de lado alguns dos seus princípios que o faziam tão especial. Deixou-se manipular e às vezes passava a sensação que até as palavras que saíam de sua boca não lhe pertenciam. Era texto aprendido, induzido e mal proferido. Magoou quem não merecia. Falou verdades inexistentes. Odiou a quem só lhe oferecia amizade. Se forçava a ser ouvido, mas nunca tinha paciência em escutar. Estava cego, mas se colocava sempre diante a um quarto escuro e por isso não se importou em enxergar. Precisava de ajuda, só que ainda não havia percebido isso e se sentia tanta necessidade em se jogar do abismo, não seria eu a pessoa a impedi-lo. Eu só precisava que ele soubesse que haveria sempre alguém à postos para lhe secar às lágrimas ou ajudar a cuidar das feridas. No mais, só o tempo seria seu conselheiro.

October 22, 2009

DE PONTOS FINAIS

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:28 pm

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“O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto”.

Fernando Pessoa

Acordou com uma sensação de que o ontem não existiu, uma certeza que era capaz de desconstruir todos os devaneios que um dia visualizou. Era como se houvesse acordado de um sono profundo e falso. Agora a realidade batia a porta e a obrigava a despojar-se de todos os contos de fadas. Necessitava com todas as suas forças de uma grande dose de realidade. Abandonar as coisas de menina e mergulhar de cabeça na vida real. Obedecer ao relógio. Tirar o sorriso bobo da cara e assumir um ar mais sóbrio e confiante. Organizar a agenda e dar mais valor aos estudos e ao trabalho. Precisava sair da estagnação e da ilusão de que tudo são flores, festas e sonhos. Constituir família, carreira e histórias. Traçar metas e segui-las. Abandonar amores que nunca a levaram a nada, porque merecia amor de verdade. Amor palpável e sincero. Amor adulto e comprometido. É verdade que desfazer-se de algumas lembranças lhe doeram no fundo da alma, mas entendia que era preciso seguir um novo objetivo. Deletou e-mails, telefones e rasgou fotos. Olhou com desapego cada objeto que remetesse alguma lembrança de dependência de algo ou alguém. Queria traçar novas linhas e escrever novas histórias, com desfechos de final feliz. E então, ser protagonista e não mera coadjuvante da própria biografia.

October 15, 2009

JOGANDO OS DADOS

Filed under: Contos — manuelalves @ 1:23 pm

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Foto: Annai

Deixa-me perder a hora / Pra ter tempo de encontrar a rima / Ver o mundo de dentro pra fora / E a beleza que aflora de baixo pra cima / Ó meu Pai, dá-me o direito / De dizer coisas sem sentido / De não ter que ser perfeito / Pretérito, sujeito, artigo definido / De me apaixonar todo dia / De ser mais jovem que meu filho / E ir aprendendo com ele / A magia de nunca perder o brilho / Virar os dados do destino / De me contradizer, de não ter meta / Me reinventar, ser meu próprio Deus / Viver menino, morrer poeta.

 Alma Nua – Vander Lee

Existem pessoas que acreditam em inferno astral, eu prefiro acreditar em senso de oportunidade. Ou estamos dispostos a dar vazão às nossas necessidades ou não. Simples assim. Há aqueles que desistem diante do primeiro obstáculo e os que cansam da luta após vários nocautes. Mas também há aqueles que mesmo correndo contra o vento, superam todas as próprias expectativas, vencem o cansaço e cruzam a linha de chegada. Hoje percebo que já me coloquei em todas as posições. De dissidente, de perdedora e de vitoriosa. E chega um certo momento em nossas vidas em que somente as vitórias são aceitáveis. Porque já temos conhecimento para domar o medo e experiência para superar os obstáculos. Hoje eu não busco mais os sorrisos forçados e palavras bonitas. Quero apenas sinceridade e espontaneidade. Porque tenho ânsia em aprender e mesmo que a verdade me machuque, preciso sentir para optar pela continuidade do erro ou a evolução do aprendizado. E ultimamente nem as minhas próprias vontades me bastam. Por isso preciso me jogar em oportunidades nunca antes planejadas. Sem idealizações ou paixões platônicas. Quero viver apenas o momento, mesmo que o passado me tome por vezes de assalto. Desejo pensar apenas no hoje e não avaliar o que pode acontecer amanhã. Sem medos ou anseios. Me libertar da cadência das horas, da passagem dos dias e das agendas diárias. Viver por viver e me apresentar para um salto no escuro, um tapa na cara ou um coração partido. Não economizar na ação pensando na reação, porque prefiro sarar as dores da alma do que não saber nunca o que é ter sentimento.

October 1, 2009

FELICIDADE enFIM

Filed under: Contos — manuelalves @ 10:04 pm

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Foto: Pedro Silva

“Essa morte constante das coisas é o que mais dói”.

Caio Fernando Abreu

Tem dias em que voltar para casa é a decisão mais difícil a tomar. É aquela dose de realidade que nem sempre estamos dispostos a enxergar. O silêncio que tantas vezes aflige e a solidão que machuca de uma maneira tal que não sabemos onde e nem como sarar. A saudade aperta mais forte e nos deixa como que sufocados em nós mesmos, como um afogado que após lutar contra o inevitável, se entrega à correnteza das águas. Não tem para onde correr. Não tem como deixar de pensar. Incomoda, desnorteia e enlouquece. Tem dias em que não adianta fechar os olhos para tentar esquecer. As lembranças vagueiam e descortinam o teatro da vida. E já não adianta sorrir para tirar a atenção dos olhos que marejam. Tem dias em que precisamos ser tristes e viver intensamente a nossa dor. Para chegar ao fundo do poço e perceber que não é o fim do mundo e que uma hora tudo isso passa. Porque a vida é construída de renascimentos. Hoje eu posso dizer que estou um tanto morta, com o coração pequeno e as lágrimas prestes a cair, mas a certeza de que em breve vou renascer conforta a minha alma.

September 15, 2009

MINHAS VERDADES

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:10 pm

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Foto: Kristinna

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom / Daqui não / Eu vivo a vida na ilusão / Entre o chão e os ares / Vou sonhando em outros ares, vou / Fingindo ser o que eu já sou / Fingindo ser o que já sou / Mesmo sem me libertar eu vou.

Marcelo Camelo – Liberdade

Deixei me conhecer e agora isso é tudo o que sobrou. Algumas fotos rasgadas, o silêncio e esse vazio que sempre me toma de surpresa. O seu sorriso não sai dos meus pensamentos, e vez por outra me pego lembrando de você, que partiu sem mais explicações e deixou com a saudade, uma pequena parte que sempre me faz metade. Eu queria ser completa, mas sem você por perto me sinto cada vez menor. Hoje vejo que muito do que eu era, vinha de você. A empolgação, o riso fácil, as muitas inspirações. A poesia e a fantasia há muito se perderam de mim, ou eu delas. Queria poder dizer mais. Construir sonhos em alicerce e não castelos de areia. Onde você largou a minha confiança? Porque me ofereceu algo que não podia dar? Sei que preciso me livrar dessa ânsia que me sufoca e dessa história que está cheia de rabiscos. A verdade é que tenho medo de no meio do caminho me perder da única metade que me sobrou. É tudo o que eu tenho e por enquanto ainda não estou pronta para arrancar você de mim. Hoje eu sei que as lembranças me fazem real.

September 13, 2009

VIRANDO AS PÁGINAS

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:58 pm

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Foto: Ingrid Nirve

“E qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer. A memória é uma vasta ferida.”

 Chico Buarque, in Leite Derramado

 

E só de pensar em porque passo tanto tempo omissa, me incomoda. A verdade é que o real me faz menor. Há quem goste de verdades absolutas, mas nunca neguei que mentiras sinceras me fazem bem. Por vezes me pego a observar o comportamento alheio. Não é porque eu faça muito que irei receber muito, às vezes recebo bem menos do que retribuí. E não é uma entrega intercambiável. É gratuita. Mas não nego que fico chateada quando percebo que a recíproca não é verdadeira. Acho que sentimento precisa ser mútuo. De amor, de amizade e até de camaradagem. Não quero e nem preciso ser estepe de ninguém.  E esse tipo de pensamento me faz menor. Como se abrisse mão daquilo que sempre acreditei. Acredito muito no é ou não é. Sem meio termo. Odeio covardia e prefiro a radicalidade. Se ainda me olham com receio, não posso fazer nada. Sou assim. Emburrada quando não gosto, chata quando me incomodam e receptiva quando me tratam bem.

August 10, 2009

O COMEÇO DO FIM

Filed under: Contos — manuelalves @ 10:03 pm

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“O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não suporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos.”

Ferreira Gullar, in Sobre o Amor

Por acreditar que possuía a melhor parte do coração dela, não se preocupava em realizar a manutenção ou efetuar ações que o fizessem permanecer saudável. Dizia amá-la mas, por imaturidade e ânsia em sugar o máximo que a vida nos oferece, subjugou os sentimentos alheios e protelou ao máximo a transparência em se mostrar disposto. Cada vez mais ausente, foi matando aos poucos um sentimento puro e verdadeiro. Fez sofrer e minimizava os fatos, como se não estivesse fazendo nada de errado. Às vezes trocamos mesmo algo valioso por quase nada, barganha que não nos damos conta na hora e que acaba logo. O tudo torna-se nada em fração de segundos e nem sempre é possível realizar a troca de um produto avariado. Quase nunca nos dispomos a trocas. Esquecer ações que nos fazem sofrer não é fácil. Ego ferido, coração machucado e lágrimas vertidas não são irrelevantes. Após a separação inevitável o desgaste se fez maior. Libertação para ele e aprendizado pela dor para ela. Mas as coisas vãs da vida duram pouco. Os amigos somem rápido. As bebedeiras já não são mais tão divertidas. Ficar por ficar, todas as noites, também cansa. Aquela vontade de abraçar o mundo com as mãos ficou perdida em meio a felicidade irreal. Evaporou como tudo que é fugaz. Só que o mundo não pára esperando que erros e más atitudes sejam percebidos. Agora ele sabe que a escolha que fez não foi a mais feliz. Precisava tanto experimentar a efemeridade das coisas quem nem olhou para trás ao bater a porta. E agora, ela tem fechaduras e cadeados, para que nenhum malfeitor possa entrar. Só convidados tem acesso e ele, inacreditavelmente já não era bem vindo.

August 9, 2009

A FUGA

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:00 pm

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Foto: Lúcia Letra

“Viver é só uma questão de dias entre seus lábios

E milhões de vícios (…)

Sou alguém que foge antes que o mundo possa me entender.”

Picassos Falsos, in Bolero – Humberto Effe

Me limitava apenas a ouvir sua versão da história e em certos momentos dava para sentir o seu desespero em ser compreendido e a sua crença naquelas mentiras inventadas. Talvez por desespero, tomava para si como verdade absoluta aqueles fatos irreais. Gostaria mesmo de poder depositar confiança em toda aquela explicação, mas estava de fora daquela situação e podia enxergar além das palavras e bem dentro de seus sentidos. Procurava mesmo ser compreensiva, mas naquele momento aquilo não lhe bastava. Queria apoio incondicional e eu não podia oferecer. Gostava de acreditar-se disponível, mas a verdade é que postava-se cada vez mais distante. Sumia de tempos em tempos e quando surgia, era sempre para abrandar o seu próprio ego. Já não trazia mais aquele sorriso no rosto e aquela vontade de cuidar e cultivar os seus. Os objetivos ficaram perdidos em meio ao caminho que percorrera por todos esses meses vazios. E a falta de notícias, acabara produzindo um esquecimento gradual daqueles que o estimavam, e apagava-se mais um pouco a cada dia. Dizem por aí que plantando em terra fértil, tudo brota e agora eu só consigo enxergar terra árida. Lote abandonado e seco como nos sertões. Sem vida, como o reflexo dos seus olhos e sem utilidade, como as mentiras que você inventa.

July 23, 2009

OLHOS SECOS E CORAÇÃO MOLHADO

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:27 pm

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“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

Lispector

A chuva grossa que insiste em cair desperta a vontade de sair na rua para encharcar o corpo e lavar o espírito. Em dias assim tudo fica mais lento. Como em um movimento de câmera lenta. Desperta a preguiça e a vontade de não fazer nada, mas fazer nada não congela a nossa mente e corpo imóvel, quase sempre é sinônimo de mente inquieta. É exatamente isso que eu sinto neste momento. Uma inquietação profunda na alma. Há quem goste da chuva, no meu caso não é segredo para ninguém, que nunca fui fã dela. Mas não é pelo transtorno que ela trás, com carros quebrados e trânsito complicado. Não gosto é da inquietação que ela trás. Porque odeio me sentir acuada e gosto de pensar a todo momento que os problemas podem ficar sempre para mais tarde. Por vezes me pego desesperada e sem saída por ter protelado demais algo que não podia ser adiado e, uma hora ou outra, a crise precisa ser sanada. Nos últimos dias eu tenho prorrogado bastante os problemas. Mantenho a mente ocupada desde a hora em que o despertador toca, até o momento em que me forço a dormir. Me esforço para deixar o corpo cansado. De maneira que ao deitar a cabeça ao travesseiro não tenha tempo nem para pensar. Mantenho distância de livros ou dos cadernos que com tanto afinco insisto em escrever sem parar. Evito sair com amigos que me conheçam demais, para não acabar a noite contando lamúrias de coisas que não podem ser resolvidas com palavras. E se me fecho demais é porque não acredito em análises ou psicologias baratas. Sou assim, discreta e calada. Minha cura vem da alma e só quem tem o poder de diagnosticar a enfermidade e dosar o medicamento sou eu. Pode me chamar de individualista, porque eu não ligo. O melhor de mim vive junto ao meu pior e por hora os dois andam convivendo muito bem. Dias bons e maus todo mundo tem. É como a natureza, que sempre vai trazer dias de chuva e de sol.

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