DO FIM

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz

Quero ver como suporta me ver tão feliz.”

                                    – Chico Buarque

Ando com a alma leve, o coração livre e os pensamentos dispersos. Não havia me dado conta, mas eu nem lembrava mais de você. A vida seguiu e você ficou perdido em alguma rua onde somente eu encontrei a saída. De uma maneira natural, as lembranças viraram somente histórias que eu nem mesmo sinto vontade de contar. Fatos desinteressantes e sem apelo algum. E aquele encontro foi a minha libertação. O coração não acelerou, o estômago não deu voltas, o sorriso não veio. Eu estava curada e a sua presença não me abalava mais. Lembrando bem daquele momento, a sua presença até me incomodava. Suas histórias me pareceram absurdas. Seus devaneios me irritaram e a sua insistência em provar que eu estava errada, só me fez perceber o quanto eu estava certa. Passou, já foi e agora você deve seguir em frente. Há tempos que eu não ficava tão bem com a minha companhia e, por hora, isso mais que me basta. Segue a sua vida e não me procure, não me ligue, não me deixe recados. Não quero ficar me repetindo e não temos mais nada a conversar. Passou, já foi e eu só quero seguir meu caminho.

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O QUE FALTA É AMOR…

“Dá vontade de amar. De amar de um jeito “certo”, que a gente não tem a menor idéia de qual poderia ser, se é que existe um”.

(Caio F. Abreu)

Recentemente dei para observar as relações alheias. Com o pouco que me contam e com o tanto que eu vejo, cheguei à conclusão que as pessoas não se amam mais. Elas amam estar amando. Consegue perceber a diferença? Os relacionamentos não são mais construídos pela troca, pela compreensão, por ceder um pouquinho aqui e ali, pelo companheirismo. A sensação que eu tenho é que todos precisam manter-se borbulhantes. Necessitam das sensações. Do frio na barriga, do rubor das faces, da eletricidade do toque, dos devaneios que assolam as tardes de calmaria. Há aqueles, inclusive, que não conseguem ficar só. Pode ser qualquer um, contanto que tenha alguma coisa para sentir. É controverso dizer, mas a falta de sentimento anda nos deixando sentimentais demais. O amor? Há tempos se perdeu nas frases dos poetas e cantores. Ficou encantado e démodé.

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ADEUS!

“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.

Paulo Leminski

Talvez por cansaço ou por ouvir o barulho da chuva batendo na janela, a rua enfim silenciosa e a escuridão do quarto, ontem eu lembrei de você. Um pensamento que veio do nada, sem motivo algum e que me roubou um pouco de tempo de sono. Pensei em como, com toda a sua imperfeição, você sempre pareceu mais que perfeito para mim. Mesmo com a sua indisponibilidade você estava sempre presente. Em como na ausência a sua presença era sentida. Porque você é o tipo do cara que não promete que vai ligar, mas liga. Que não se diz romântico, mas é. Que não garante surpresas, mas que sempre surpreende. Busquei alguns defeitos, mas não achei nenhum. Gostaria de te culpar por eu ter me afastado, mas não deu. Quer saber? Não me arrependo. A sua perfeição me refletia imperfeita e posso garantir que aquela história de que os opostos se atraem é uma grande mentira. Estamos em constante busca pela simetria e eu não sou diferente. Eu quero é poder mostrar os meus defeitos, que não são poucos. Quero carregar as minhas cicatrizes com orgulho. Quero ter o benefício do perdão. Quero ter o direito de, às vezes, decepcionar algumas pessoas e saber que ainda assim serei amada. Não quero ser lembrada como a que não comete erros, porque eu sou feita de muito mais erros que de acertos. Quero apenas continuar a ser o que já sou. E quem me conhece sabe que falo o que penso, sabe que peso nas palavras e que não me importo se o que foi dito não volta atrás. Talvez por isso, somente ontem foi que eu me dei conta de que talvez você fosse perfeito, mas não para mim. Sem ressentimentos, adeus.

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SER FELIZ E TER AMIGOS

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.”

Cora Coralina

Diante das possibilidades e necessidades, segui em frente. O medo que antes tomava formas e se agigantava em mim, já não faz qualquer diferença. Busquei força, poupei esforços, foquei no que era real e deixei o tempo cuidar do resto. E posso jurar que o tempo liberta. Hoje enxergo os fatos de uma maneira mais clara, sem grandes roteiros ou conclusões pouco precisas. Não faço tempestade em copo d’água e se a vida pode ser simples e boa, pra quê complicar? A simplicidade foi a minha melhor escolha. Larguei as máscaras de lado e ando com um sorriso bobo no rosto, um sorriso de sinceridade. Só convivo com quem me faz bem. Só ligo para os meus amigos e só a eles faço questão de atender. Porque mesmo na distância, estamos juntos e essa é a minha maior certeza. Me preocupo com aqueles que ainda não aprenderam a pedir ajuda. Que sofrem em silêncio. Que fingem estar bem. Seria bom que entendessem que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que às vezes somente um abraço é capaz de apaziguar um coração oprimido. Eu bem sei que, às vezes, algumas dores mal cabem em nós e por isso mesmo é importante dividi-la. Amigos não julgam, não ofendem, não tripudiam. Amigo conforta e acolhe. Hoje eu peço que os meus amigos também larguem as suas máscaras e se deixem envolver pelas coisas simples. Que sorriam por vontade e de verdade. Eu peço, todos os dias, para que tenham a alma leve e o coração tranquilo. Porque eu não quero ser feliz sozinha.

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SER FELIZ E SER AGORA!

“A gente cresce sem saber para onde”.

João Guimarães Rosa

Perceber que a vida não segue de acordo com os seus planos, já é metade do problema resolvido. Não é fácil administrar sonhos, também não é saudável viver apenas deles, mas é importante a constante busca para realizá-los. Não imponha as suas vontades a ninguém. Não delegue suas frustrações. Nunca diga que não teve escolha e nem contemporize suas ideias apenas para agradar alguém. Não coloque a felicidade dos outros à frente da sua. Se a vida não está da maneira que você sonhava, busque novos caminhos, sempre é tempo de recomeçar. Não finja alegria quando o coração te emite sinais de que não está em festa. Não crie casos com você mesmo, nem sempre as coisas são como nos nossos mais felizes devaneios, mas não se acomode, faça acontecer. Busque sorrisos e aquiete a alma. Não pense apenas no outro, tenha consigo a certeza que fazer o bem é também estar bem e a realização de ninguém se constrói através da sua vida. Você não é alicerce de ninguém. Faça o seu e faça por você, levante primeiro as suas bases e só depois divida isso. Não por obrigação, mas por vontade. Não é pecado algum querer ser feliz.

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DE SAUDADES E PARTIDAS…

“Saudade a gente tem é dos pedaços de nós que ficam pelo caminho”.

Martha Medeiros

Dia desses, me perguntaram qual a palavra mais triste do dicionário, eu lembro que logo pensei em saudade. Talvez por conviver demais com ela, talvez por gostar muito do seu significado. A verdade é que não a classifico somente como a mais triste do dicionário, mas também como a mais bonita. Saudade é porto seguro, referência para as conquistas, o marco zero da alma. Saudade tem cheiro de família, sorriso de amigo e gosto de felicidade. É o motivo que nos faz continuar a caminhada da vida. É o que ampara nossas lágrimas, o que define a nossa alegria e o que sossega nosso coração. Saudade é ponto de chegada, quando a partida nos estilhaça a alma. É fazer-se presente, mesmo estando tão distante, saber-se livre, mesmo estando completamente presa. Saudade é assim, uma dor que vai e vem e que, todos os dias, quase passa, mas nunca vai embora.

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HÁ TEMPOS…

“Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo”.

Fernanda Mello

Por vezes me surpreendo com a ideia de como venho me adaptando a certas situações tão facilmente. Larguei de lado aquela loucura de levar as coisas tão a sério, de manter tudo na mais perfeita ordem, de seguir sempre aquela rotina. Agora se está bom e se é como o planejado, ótimo! Se não é bem aquilo o que eu desejei, está bom também. Chega de dramatizar a vida. Não deu certo? Parte pra outra. Está errado? Busque pelo certo. Caiu? Levanta e segue em frente. Perdeu? Acha outra coisa. Desperdiçar tempo com lamentações e pensamentos de E SE?…já não fazem a minha cabeça. Não lamento por algo que não vivi. Nem por situações em que não me joguei. Não fico remoendo fatos passados e nem passos não dados. Ando fazendo faxinas na alma, no coração e nos pensamentos. Limpo toda a poeira que teima em absorver minha vida. Não adianta mais varrer para debaixo do tapete. Recordações antigas só atraem mofo e foi então que aprendi a me desfazer das lembranças mais sofridas. Elas fazem parte de um passado distante, de um roteiro falho e sem final feliz e há tempos que eu venho escrevendo novos capítulos.

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FELICIDADE ENFIM!

“Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui – ou achei que tivesse sido – feliz”.

Tati Bernardi

É tudo uma questão de tempo e de aprendizado. Andava com sintomas de melancolia e o simples ato de encostar a cabeça no travesseiro, todas as noites, me fazia feliz. Aos poucos fui me dando conta que tudo era uma questão de escolha. E se você opta pela felicidade, pode ter certeza de que o destino vai lhe sorrir. Você escolhe, ao sair de casa, se terá uma cara emburrada ou um sorriso aberto no rosto. A partir daí, tudo o que vier a você, será decorrente das suas opções. A maneira como vão te olhar, os julgamentos que irão fazer de você, as palavras que lhe chegarão. É tudo reflexo de suas escolhas. E se a vida já é tão complicada, porque teimar em deixar tudo tão cinza? Se eu gosto do céu azul, antes preciso pintar o azul dentro de mim. Simples assim. Hoje eu optei pela felicidade e amanhã também. Quanto tempo isso vai durar? Não sei! Mas por hora a tempestade não vive mais em mim.

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VAI PASSAR…

Foto: Daniela Farias – Flickr.com

“Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.”

Clarice Lispector

Existem dias em que sou mar, e renovo toda a enxurrada de maus pensamentos que me alcançam. Mas tem dias em que sou céu e absorvo tudo o que me impõem. Hoje é um dia assim. Meio feio, meio frio. Meio mar, meio sertão. Eu queria não sentir assim. Como se a chuva fosse a salvação da seca. Como se o açúcar fosse a única alternativa para o amargo. Como se a água fosse a salvação da lavoura. Odeio lugar comum. Odeio regras e normas. Odeio prisões invisíveis. Quero poder viver o presente, sem dar satisfações ao acaso. Quero alcançar os meus objetivos, sem derramar tantas lágrimas. Quero encontrar aquele que me entenda da maneira mais simples. Sem grandes devaneios. Sem brigas. Sem rodeios. Quero o sorriso sincero. O abraço apertado. O afago natural. Chega de regras. De olhares tortos. De sorrisos forçados. Eu quero o calor de quem arrebata sentimentos e a surpresa da palavra que aquece. Quero os bons pensamentos. Deles eu posso renascer. Preciso dos sonhos. Das fantasias. Das ideologias. Preciso pensar que o futuro será melhor e que o presente é só uma questão de transitoriedade. Quero a certeza de que isso vai passar…há de passar, há de passar…

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DE PONTOS FINAIS E RETICÊNCIAS

“Tudo com o que eu me importo, ME IMPORTA MUITO. Me suga, me leva, me atrai, se funde com tudo o que sou e me consome. Toda. Por inteiro. Sorte minha me doar tanto – e com tal intensidade – e ainda sair viva dessa vida.”

Fernanda Mello

Nós nunca estamos preparados para despedidas. Seja ela definitiva, temporária ou necessária. Nunca estamos prontos para dizer adeus. Virar as costas para o passado é difícil. Conter o nó na garganta é difícil. Segurar as pesadas lágrimas é quase impossível. Do alto de meus trinta anos, ainda sou estagiária em despedidas. Sou sempre aquela que vai chorar mais. A que não vai aguentar sequer que me venham bater nas costas. Me recuso a findar histórias. Não gosto de virar a última página do livro, de escutar a última música da lista, de tomar a derradeira saideira. Odeio pontos finais. Gosto de vírgulas e mais ainda de reticências. Quero poder fazer da vida um livro sem fim, agregando o máximo de personagens possíveis. Distribuindo enredos de fazer rir e chorar. Ultimamente esse sonho vem se tornando quase impossível. São tantas despedidas que às vezes nem sei de onde saem tantas lágrimas. Por vezes de felicidade, outras tantas por medo e aquelas que, não há como negar, são pura tristeza. Mas sei que o tempo é fiel companheiro e ajuda na cura das feridas abertas. Às vezes os caminhos seguem por trilhas diferentes somente para se cruzarem mais adiante. E o futuro…é uma eterna reticência.

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