PARTIR E MUDAR…

“Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu”.

Lya Luft

Já mudei tantas vezes e de tantas maneiras diferentes que nem consigo juntar os meus pedaços que acabaram ficando pelo caminho. Essa vontade de reinventar nunca me abandonou. Vou abrindo espaços, moldando formas, criando histórias…muitas histórias. Ultimamente sinto como se os passos ficassem maiores, mais difíceis e mais direcionados. Sigo em frente e sem olhar para trás. Como se houvesse me desacorrentado de algo pesado, que me prendia a situações e oportunidades que nunca valeram realmente a pena. Agora, somente avanço…e me sinto mais leve, mais livre, mais só. As lembranças foram se perdendo, pouco a pouco, com o passar dos meses. A saudade tomou novo formato e desenvolveu uma nova percepção. Me reinventei vivendo somente de possibilidades, ações e acontecimentos. Me desprendi do mundo das ideias. Me desfiz dos devaneios e abandonei a expectativa da boa vontade alheia. Despedidas não são fáceis, e acredito que não devemos nos afastar das velhas histórias para criar novas, mas foi exatamente assim que eu me encontrei…justamente quando achei que estava me perdendo, me achei!

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DEVANEIOS X REALIDADE

“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”.

 Friedrich Nietzsche

Vidas que seguiram por caminhos diferentes. Por que parecem tão distintos quando deveriam ser iguais? Mesmos valores, mesma educação. Onde se perderam? Em que parte do caminho se viram seguindo por trilhas opostas? E se tivesse sido diferente? Se tivesse havido menos cumplicidade? Se tivesse havido mais intolerância? Menos paciência? Menos amor? E se fosse de outra maneira, será que seria melhor? A verdade é que não me arrependo do rumo que tomei, das coisas que falei e nem do meu desapego. Já senti raiva, já senti pena, hoje eu não sinto nada. E o “nada” é que me incomoda. Essa certeza de que as coisas irão acabar mal já não me abala mais. Suas histórias não me surpreendem. Não acho mais graça em seus devaneios, não me envolvo em suas loucuras. Não absorvo suas raivas e frustrações por motivos inventados. Não dou ouvidos a “contos da carochinha”. Me tornei imune a você e já não tenho tempo para lembrar de suas frustrações. Enquanto você vive essa vida inventada, eu invento meios de sobreviver. Um dia de cada vez, com o pé no chão, trabalhando para ir além dos meus sonhos. Como ficamos tão diferentes? Não sei! Mas agradeço a Deus, sinceramente, por isso ter acontecido.

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DO FIM

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz

Quero ver como suporta me ver tão feliz.”

                                    – Chico Buarque

Ando com a alma leve, o coração livre e os pensamentos dispersos. Não havia me dado conta, mas eu nem lembrava mais de você. A vida seguiu e você ficou perdido em alguma rua onde somente eu encontrei a saída. De uma maneira natural, as lembranças viraram somente histórias que eu nem mesmo sinto vontade de contar. Fatos desinteressantes e sem apelo algum. E aquele encontro foi a minha libertação. O coração não acelerou, o estômago não deu voltas, o sorriso não veio. Eu estava curada e a sua presença não me abalava mais. Lembrando bem daquele momento, a sua presença até me incomodava. Suas histórias me pareceram absurdas. Seus devaneios me irritaram e a sua insistência em provar que eu estava errada, só me fez perceber o quanto eu estava certa. Passou, já foi e agora você deve seguir em frente. Há tempos que eu não ficava tão bem com a minha companhia e, por hora, isso mais que me basta. Segue a sua vida e não me procure, não me ligue, não me deixe recados. Não quero ficar me repetindo e não temos mais nada a conversar. Passou, já foi e eu só quero seguir meu caminho.

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O QUE FALTA É AMOR…

“Dá vontade de amar. De amar de um jeito “certo”, que a gente não tem a menor idéia de qual poderia ser, se é que existe um”.

(Caio F. Abreu)

Recentemente dei para observar as relações alheias. Com o pouco que me contam e com o tanto que eu vejo, cheguei à conclusão que as pessoas não se amam mais. Elas amam estar amando. Consegue perceber a diferença? Os relacionamentos não são mais construídos pela troca, pela compreensão, por ceder um pouquinho aqui e ali, pelo companheirismo. A sensação que eu tenho é que todos precisam manter-se borbulhantes. Necessitam das sensações. Do frio na barriga, do rubor das faces, da eletricidade do toque, dos devaneios que assolam as tardes de calmaria. Há aqueles, inclusive, que não conseguem ficar só. Pode ser qualquer um, contanto que tenha alguma coisa para sentir. É controverso dizer, mas a falta de sentimento anda nos deixando sentimentais demais. O amor? Há tempos se perdeu nas frases dos poetas e cantores. Ficou encantado e démodé.

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ADEUS!

“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.

Paulo Leminski

Talvez por cansaço ou por ouvir o barulho da chuva batendo na janela, a rua enfim silenciosa e a escuridão do quarto, ontem eu lembrei de você. Um pensamento que veio do nada, sem motivo algum e que me roubou um pouco de tempo de sono. Pensei em como, com toda a sua imperfeição, você sempre pareceu mais que perfeito para mim. Mesmo com a sua indisponibilidade você estava sempre presente. Em como na ausência a sua presença era sentida. Porque você é o tipo do cara que não promete que vai ligar, mas liga. Que não se diz romântico, mas é. Que não garante surpresas, mas que sempre surpreende. Busquei alguns defeitos, mas não achei nenhum. Gostaria de te culpar por eu ter me afastado, mas não deu. Quer saber? Não me arrependo. A sua perfeição me refletia imperfeita e posso garantir que aquela história de que os opostos se atraem é uma grande mentira. Estamos em constante busca pela simetria e eu não sou diferente. Eu quero é poder mostrar os meus defeitos, que não são poucos. Quero carregar as minhas cicatrizes com orgulho. Quero ter o benefício do perdão. Quero ter o direito de, às vezes, decepcionar algumas pessoas e saber que ainda assim serei amada. Não quero ser lembrada como a que não comete erros, porque eu sou feita de muito mais erros que de acertos. Quero apenas continuar a ser o que já sou. E quem me conhece sabe que falo o que penso, sabe que peso nas palavras e que não me importo se o que foi dito não volta atrás. Talvez por isso, somente ontem foi que eu me dei conta de que talvez você fosse perfeito, mas não para mim. Sem ressentimentos, adeus.

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SER FELIZ E TER AMIGOS

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.”

Cora Coralina

Diante das possibilidades e necessidades, segui em frente. O medo que antes tomava formas e se agigantava em mim, já não faz qualquer diferença. Busquei força, poupei esforços, foquei no que era real e deixei o tempo cuidar do resto. E posso jurar que o tempo liberta. Hoje enxergo os fatos de uma maneira mais clara, sem grandes roteiros ou conclusões pouco precisas. Não faço tempestade em copo d’água e se a vida pode ser simples e boa, pra quê complicar? A simplicidade foi a minha melhor escolha. Larguei as máscaras de lado e ando com um sorriso bobo no rosto, um sorriso de sinceridade. Só convivo com quem me faz bem. Só ligo para os meus amigos e só a eles faço questão de atender. Porque mesmo na distância, estamos juntos e essa é a minha maior certeza. Me preocupo com aqueles que ainda não aprenderam a pedir ajuda. Que sofrem em silêncio. Que fingem estar bem. Seria bom que entendessem que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que às vezes somente um abraço é capaz de apaziguar um coração oprimido. Eu bem sei que, às vezes, algumas dores mal cabem em nós e por isso mesmo é importante dividi-la. Amigos não julgam, não ofendem, não tripudiam. Amigo conforta e acolhe. Hoje eu peço que os meus amigos também larguem as suas máscaras e se deixem envolver pelas coisas simples. Que sorriam por vontade e de verdade. Eu peço, todos os dias, para que tenham a alma leve e o coração tranquilo. Porque eu não quero ser feliz sozinha.

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SER FELIZ E SER AGORA!

“A gente cresce sem saber para onde”.

João Guimarães Rosa

Perceber que a vida não segue de acordo com os seus planos, já é metade do problema resolvido. Não é fácil administrar sonhos, também não é saudável viver apenas deles, mas é importante a constante busca para realizá-los. Não imponha as suas vontades a ninguém. Não delegue suas frustrações. Nunca diga que não teve escolha e nem contemporize suas ideias apenas para agradar alguém. Não coloque a felicidade dos outros à frente da sua. Se a vida não está da maneira que você sonhava, busque novos caminhos, sempre é tempo de recomeçar. Não finja alegria quando o coração te emite sinais de que não está em festa. Não crie casos com você mesmo, nem sempre as coisas são como nos nossos mais felizes devaneios, mas não se acomode, faça acontecer. Busque sorrisos e aquiete a alma. Não pense apenas no outro, tenha consigo a certeza que fazer o bem é também estar bem e a realização de ninguém se constrói através da sua vida. Você não é alicerce de ninguém. Faça o seu e faça por você, levante primeiro as suas bases e só depois divida isso. Não por obrigação, mas por vontade. Não é pecado algum querer ser feliz.

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