“Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: Por amor”.
Clarice Lispector
Dia desses me dei conta que vivo deixando as coisas pela metade. Aspectos mal resolvidos. Palavras que deixaram de ser ditas. Atitudes que nunca foram tomadas. Eu tento manter a ordem das coisas, mas percebo que estou com meu interior totalmente bagunçado. Talvez por isso essa fixação em manter objetos no lugar. Arrumar o exterior para causar a impressão que o interior vive em completa harmonia. Por hora, eu queria ao menos ser ouvida e não ouvir. Ser interpretada e não interpretar. Ser compreendida e não compreender. Ser encontrada e não viver à procura. Ando cansada dessa busca sem razão. De sorrisos de uma noite apenas e palavras que se dissolvem ao raiar do dia. Eu preciso ver comprometimento nos atos e sentir sinceridade nas palavras. Eu quero algo exclusivo. Que seja meu pelo fato de haver conquistado. E preciso que a conquista seja por inteiro. Cansei de viver de metades. Não quero ser consolo de ninguém e nem me sentir descartável. Quero sim, ser o motivo do sorriso de alguém. O primeiro pensamento do dia. O caminho certo a seguir. A certeza da segurança e a meta a ser cumprida. Chega de sentimentos paralelos e amores platônicos. Chega de sonhar com o impossível e de torcer para que o outro possa mudar. Já é hora de seguir em frente. Arrumar o meu interior. Abrir as cortinas e ver a realidade da paisagem que se desvenda à minha frente.









