
“E há uma grande vontade de viver, todo o nosso ser pede para viver, e, inflamado com a esperança mais ardente, mais cega, o nosso coração parece desafiar o futuro, com todo o seu mistério, com todo o desconhecido, ainda que em tempestades e tormentas, contanto que isso seja vida!”
Dostoiévski
Ultimamente dei para observar para onde nos leva a vida. O que ela nos oferece. As oportunidades que agarramos e aquelas as quais deixamos passar. As conseqüências dessas escolhas e o impacto que elas causam. Tenho pedido para me contradizer. Não pensar muito e agir mais. Assim, de impacto e por vontade própria. Tirar os pés do chão e enlouquecer só um pouquinho, porque tenho sentido falta da minha ausência de meta e do meu sorriso mais puro. Ando vendo que a vida endurece as pessoas e não quero ter o olhar triste a o coração amargo. Peço para ter sempre o coração aberto e a vontade de entregá-lo sem pestanejar a quem pedir ou precisar dele. Quero poder cantar em voz alta e não ser taxada como louca ou jogar conversa fora sem que pra isso precise ser julgada quanto as minhas frases tortas, cheias de rima e metonímias, porque sou poesia e transbordo estrofes em todas as frases. Preciso voltar a caminhar descalça sem o medo iminente de ferir os pés, só pelo fato de que precisamos correr certos riscos para ser feliz. Olhar mais no interior dos meus amigos para voltar a conhecê-los como há anos atrás, pelo olhar e a sonoridade das palavras. Deixar de observar apenas o borrão da essência de cada um, porque lá no fundo sempre podemos doar mais do que geralmente oferecemos. Preciso me reinventar dentro de minhas próprias teorias, abandonar a seriedade dos adultos e abraçar mais o mundo de fantasia das crianças, que são felizes por não guardar rancor ou preocupação e vivem um dia de cada vez, na certeza de que o amanhã sempre será melhor do que o hoje. Preciso viver, como há muito já não vivo. Ler por prazer, escrever por instinto e sorrir por necessidade. Jogar por diversão e não por competição, doar por vontade e não por obrigação, calar por prudência e não por censura e principalmente amar por entrega e não por paixão. A efemeridade das coisas é que nos faz temer a rendição e ultimamente tenho pedido coragem para caminhar no escuro sem ninguém para me guiar e ser capaz de discernir sobre as minhas próprias escolhas, sem deixar, por medo de errar, a oportunidade passar.








