Manuela Alves

April 28, 2006

ESSA PREGUIÇA AINDA ME MATA!

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:26 pm

preguiça
Tem dias em que a gente acorda com vontade de não levantar.
De ficar de pernas para o ar, o dia inteiro, só vendo o tempo passar.
De ligar a TV e só assistir desenho animado.
Nada de notícias.
Nada de problemas.
Nesses dias, dá vontade de desligar o celular, só para ver no que vai dar.
E se o mundo insistir em desabar, viramos de lado e tiramos aquele cochilo gostoso.
E se chover?
Tudo fica melhor ainda.
Tem coisa mais legal do que dormir ouvindo o barulhinho da chuva batendo na janela?
O friozinho agradável que dá trégua a este calor insuportável é muito bom.
Hoje, acordei assim…
Com vontade de não fazer nada.
Mas, infelizmente, essa droga de despertador não pára de tocar.
De volta à realidade!

April 24, 2006

Amigos…ter ou não ter?

Filed under: Contos — manuelalves @ 10:06 pm

Antigamente as coisas pareciam tão certas que era como se não houvessem problemas. A sintonia era perfeita. As risadas compartilhadas. Os mesmos gostos. As mesmas atitudes. Eram parceiras e isso bastava. Imaginava que sempre tivera muita sorte, pois meus amigos eram perfeitos. Tudo encaixava como num grande quebra-cabeças. Eram muitos corpos com uma só alma. Amizade para ser perfeita tem que ter sentimento, sexto sentido, cumplicidade, adivinhação, nostalgia e até confusão. Amigo que é amigo compra a briga do outro, colore os defeitos, esconde os erros. Amigo que é amigo dá o conselho certo, ajuda a encontrar o caminho, ilumina nossas idéias. Amigo que é amigo acredita piamente em você, briga com quem diz o contrário e coloca você acima de tudo e de todos. Uma amizade sadia passa por tempestades sem sequer se molhar. Seca as lágrimas do rosto ao invés de as fazer cair. Cura o coração partido ao invés de fazer ele se machucar. Às vezes nos enganamos com algumas pessoas e a pergunta torna-se inevitável: O que será que aconteceu com a gente? Talvez, o tempo tenha desgastado os alicerces, talvez o tempo tenha engolido o passado, ou simplesmente tudo aquilo tenha sido um delírio insano da sua cabeça. Vai ver que nunca teremos amigos. Vai saber. Amigo a gente só tem um…

A nossa própria consciência.

E se você fica bem com ela, está de bem com o mundo.

April 4, 2006

AMOR QUE MATA

Filed under: Contos — manuelalves @ 8:22 pm

 

Já não conseguia diferenciar amor e ódio. Amava tanto que até a raiva e as brigas eram necessárias. Dava a impressão de que se não a tivesse, não conseguiria viver. Não podia beijar, não devia dizer tudo o que tinha guardado dentro do peito, mas ele estava satisfeito só em poder vê-la. Às vezes, segurava o orgulho, o choro, a dor. Porque a vida é assim, e nem sempre vemos ou escutamos o que nos faz bem. Às vezes eu gostaria de saber como que um cara tão legal se sujeitava a isso. É voltar a velha história das "migalhas". Faltava amor próprio. Faltava respeito a si mesmo. Faltava compreender-se. Alguém tinha que ceder e ele cedia sempre. Ela era clara, eles seriam amigos para sempre e às vezes o magoava mesmo sem querer. Mesmo sabendo que não tinha chances, sempre levava consigo a esperança de que um dia ela seria dele. É verdade que a sua esperança não era produto de uma mente insana. Houveram momentos em que ela não mostrou-se tão segura de si, e acabou por fazê-lo o cara mais feliz do mundo. Até hoje eu procuro entender o que se passa na mente dela. Talvez por ele ser uma possibilidade fácil demais. Por não haver o desafio, a conquista, a vitória. Ele é e sempre será dela, e isso é muito claro. Talvez fosse o seu refúgio, como se quando tudo desse errado para ela, o caminho certo a seguir era o dele. O pior é que ele ficava feliz com isso. Quando ela estava presente, ele ficava completo, ao fugir do seu olhar, metade estava com ele e a outra metade com o mundo. Triste ele não se dar conta de que este é exatamente o tipo de amor que mata, mas ele certamente não se importaria em morrer de amor por ela.

Blog at WordPress.com.