Manuela Alves

June 29, 2006

PODES PARTIR

Filed under: Contos — manuelalves @ 6:41 pm

A sensação é como se nos faltasse o chão. Um aperto no peito. Um peso que não dá nem para imaginar de onde é que vem e nem como o tirar. Saudade, medo, vergonha, felicidade, tristeza, dúvida. Tudo se mistura e não resta quase nada para sentir. De repente, tudo se transforma. É só te ver. Pensar em você. O coração acelera, o estômago embrulha, o sorriso vem fácil. Observo cada detalhe teu. O olhar, as palavras o seu sorriso bonito que é capaz de transformar qualquer tempestade em dia de sol ardente ou derreter como manteiga um coração de pedra. O jeito de falar parece música aos meus ouvidos. Minhas mãos tremem e as palavras se atropelam. Mas quem é que precisa de palavras?

Mesmo distante, o tempo não fez com que as lembranças ficassem apenas no passado. E mesmo os fatos de menor importância foram resgatados do fundo de cada lembrança nossa. Podia te sentir novamente, só pela energia da troca de olhares. Foi tudo muito rápido, porém intenso e marcante. Eu nem sabia, mas você ainda estava muito presente em mim. Pude sentir que de alguma maneira eu também estava em você. E isso me deixou ainda mais triste. Senti como se uma oportunidade houvesse sido desperdiçada. Tive raiva desta felicidade bandida que teima em fugir de mim. Esse sentimento clandestino que teima em assolar a minha alma.

Lembranças hoje é tudo o que eu tenho e sinto como se isso já não me bastasse mais. Quero cheirar, tocar, beijar. Cansei de lembranças de você.

Quem sabe em uma outra vez? Um dia

[...] TALVEZ!

June 28, 2006

QUERO A SOLIDÃO!

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:17 am

 

Ai meu Deus! Cansei. De ser previsível, confusa, correta, desmantelada e de em todos os momentos da minha vida fazer besteiras. Estou cheia de me arrepender. De me sentir vazia. De ser sozinha. Às vezes coloco a culpa na vida. Mas a culpa é minha. A verdade é que nem me enganar mais eu consigo. Algumas pessoas eu até engano, mas eu sei que é mentira aquilo o que eu pinto, e isso hoje me incomoda. É certo que se as coisas acontecem fáceis demais a conquista não parece ser tão boa, mas ser difícil sempre também é muito.

HÁ CONDIÇÕES DE EU VER LUZ NO FINAL DO TÚNEL???

Eu realmente jogo a toalha. E não vou mais ficar tentando acreditar que o príncipe encantando vai simplesmente bater à minha porta, porque não vai e nem criança acredita mais nessas conversas para “boi dormir”. Cansei. Já era. Não serei a certa nem a errada. Serei somente eu. Levada pelos fatos e me lixando para o mundo.

June 23, 2006

AMOR E ÓDIO

Filed under: Contos — manuelalves @ 3:19 pm

A quem ela queria enganar?
Dizia-se forte. Desapaixonada. Desapegada. Confiante.
Falava que era tudo coisa do passado. Que tudo já estava devidamente morto e enterrado. Mas dava para ver que tudo aquilo que ela falava era da boca pra fora. Tentava enganar-se e às vezes até conseguia. Falava tão sério que ela mesma acreditava naquilo. Tá certo! Ela podia enganar-se, mas eu nunca acreditei muito em suas palavras. E a cada nova recaída eu provava mais a minha teoria. A verdade é que eu ainda hoje não entendo porque ela faz isso. Não seria muito mais sensato simplesmente soltar as amarras e tentar fazer com que dê certo? Talvez por isso existam tantas pessoas por aí a sofrer de amor. Qual a razão de complicar aquilo que pode ser tão simples? Tem gente que gosta de sofrer. Que gosta de desafios. De lágrimas derramadas no silêncio da noite, naquele travesseiro que é seu companheiro fiel. Tudo escuta e guarda consigo. Não gosto e nem acho sensato esconder-se atrás de uma mentira. Mas se é disso que ela precisa, é isso o que ela terá. Um conto de fadas de uma história sem fim. Sem final feliz.

June 19, 2006

MAIS UM ADEUS

Filed under: Contos — manuelalves @ 7:16 pm

 

Fazia tanto tempo que não se viam que olharam-se como se fosse a primeira vez. Conversavam olhando bem dentro dos olhos um do outro. Em certos momentos ela desviava o olhar, por medo de que todo aquele sentimento voltasse como num passe de mágica. Parecia que mergulhava de volta ao passado, onde havia tido tantos momentos felizes. Amava e era amada, mas o sentimento acabou se transformando e por medo de que nem a amizade pudesse ser preservada, acabaram por se afastar, naturalmente, sem adeus, sem brigas ou discussões. Passaram a viver cada qual no seu mundo. Sabendo vez ou outra de notícias um do outro. Sem grandes expectativas. Sem lágrimas no travesseiro. Apenas viviam. Mas aquele encontro, por acaso, mostrou que de nada havia adiantado tanto silêncio. O coração batia descompassado e mais parecia um batuque de escola de samba. Estavam sorrindo um para o outro e havia tanto sentimento naqueles olhos que era realmente inexplicável. Eu, que só observava a cena, quase podia sentir o que eles estavam sentindo. Era bonito de se ver. Mas as horas passaram, a noite caiu e eles precisavam dizer adeus. Um abraço apertado, uma troca de olhares e cada um seguiu o seu caminho. Afinal, a vida continua.

June 14, 2006

O RECOMEÇO

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:33 pm

 

Hoje o sol nasceu tão bonito. Tinha uns tons de laranja e ainda não apresentava aquele calor capaz de tirar a concentração de qualquer pessoa. Quem poderia imaginar que após toda aquela tempestade de ontem, o sol apareceria tão bonito hoje? Fiquei imaginando este dilema e lembrei dos momentos de tempestades que nós somos obrigados a enfrentar durante nossas vidas. Há situações em que pensamos que aquele dilúvio, com direito a fortes ventanias e muita água derramada, nunca vai chegar ao fim. Existem até situações em que nos deixamos inundar por completo, visualizamos o nível da água quase a nos afogar e pedimos ajuda a todos os santos como náufragos desesperados. Mas como a força da natureza, tudo começa a ficar melhor. Não existe tempestade que sempre dure. A água vai minguando, as cheias vão baixando e nós começamos a dar mais valor a beleza de um dia comum. E como nasce bonito todo aquele sol após uma tempestade.

June 2, 2006

SOLIDÃO, VINHO E CAMA…

Filed under: Contos — manuelalves @ 5:00 pm

 

Já faz algum tempo desde que você me enlouqueceu. Com esse seu ar de pessoa boazinha e feliz, me jogou nesse buraco escuro e escorregadio, do qual não consigo sair mesmo me esforçando muito. O dia perdeu a cor, o sol já não tem o mesmo brilho e a lua, aquela ingrata, teima em me mostrar luares lindos, os quais eu sempre passo sozinha. Fico aqui, tentando entender como essa sua mente doentia funciona. Acho que talvez você não goste de ser amado. Deve ser isso. Sente necessidade em chamar atenção. Quer que as pessoas sintam pena de você. Ama a tristeza e a solidão. Pois fique com ela e se quiser, eu te mando a minha também porque já estou muito cheia dela. As pessoas me dizem para andar em frente, mas continuo sempre andando em círculos, e essa tontura louca já me incomoda. Gostaria de ouvir e enxergar como uma pessoa normal. Alguém consciente dos seus próprios atos, mas eu não vejo as suas maldades e nem ouço as suas palavras ásperas. Como não posso seguir em frente, quando sei que você não vai me levar a lugar algum? Como não consigo me despir de você, quando sei que você não vale nada? A verdade é que você está encarnado em cada minúscula parte da minha pele. Está impregnado em todo o meu espírito, e o mais doentio disso tudo é que, mesmo sentindo necessidade de te expulsar de mim, você está cada vez mais forte. Mas quem pode compreender as loucuras de amor?Tomo este último copo de vinho e vou dormir mais uma noite embriagada e anestesiada de você.

 

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