Manuela Alves

November 30, 2006

Fumaça da alma

Filed under: Uncategorized — manuelalves @ 6:38 pm

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Dia desses acordei pensando no porque que temos que engolir tantos sapos. É o patrão chato, o namorado inconveniente, o amigo mala que não te deixa esquecer a sua solteirice bizarra e paixão pelo controle remoto. O irmão que está sempre te lembrando que precisa tomar cuidado com a balança. Tem sempre algo precisando mudar. Quem está solteiro quer casar, casado quer separar, gordo quer ser magro, magro quer ser gordo. O cabelo não tem a cor desejada e se é cacheado estica pra deixar liso, se é liso enrola pra cachear. Porque será que esperamos tanto de nós mesmos? Talvez esta auto cobrança seja a verdadeira desgraça da vida. Falta confiança em si mesmo. Falta fé. Esperança nem se sabe mais o que é. Passamos tanto tempo em busca da perfeição inexistente que acabamos esquecendo de viver. Esquecemos as coisas boas da vida, que já é bonita da maneira que é.

Eu quero é a libertação!

[...]

Tá bom!  Só mais um trago então!!!!!

November 21, 2006

MAIS UMA DOSE (foto: Miguel Andrade)

Filed under: Contos — manuelalves @ 6:04 pm

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Havia dias em que não suportava nem o próprio peso. E a sensação que tinha era que carregava milhões de pesos mortos e extras em suas costas. Daí se deu conta que de nada adiantava carregar pesadas correntes nos pés. Queria liberdade e sabia como tê-la. Queria sonhar e não ter pesadelos. Queria sorrir e não fechar a cara para o mundo inteiro que cruzasse o seu caminho. Deu um basta em tudo. Jogou para o ar o tédio e as preocupações. Hoje encontra-se num estado meio pluma de ser.

Escolheu viver a vida, um dia seguido do outro, não tinha motivos para antecipar os fatos. Uma dose de cada vez não embriaga!

November 17, 2006

TOMA PRA TI…É TEU!

Filed under: Contos — manuelalves @ 6:46 pm

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E você que tantas vezes fez parte de mim. Onde estará agora? Deixamos passar tantos fatos importantes, tantas boas notícias e até verdadeiros momentos de aflição. Algumas vezes chegava a pensar que você sabia mais de mim do que eu mesma. Quantas vezes eu pensava algo que você havia me dito e logo depois recebia notícias suas? Podia ser um e-mail, um telefonema…parecia até telepatia, e olha que nem acredito nisso. Conversar com você sempre foi um prazer incontestável. Curava o mau humor e as doenças da alma. Dissipava as preocupações e expulsava as ruguinhas de inquietações da testa. Já sabia decorada a expressão no seu rosto quando queria brigar comigo. O olhar sério tentava macular o seu rosto de anjo bom. Uma pena que nunca tenha funcionado comigo. Eu te conhecia tanto que já sabia todos os truques para te fazer sorrir, mesmo você estando com ódio das besteiras que vez ou outra eu teimava em aprontar. A recíproca também era verdadeira, eu nunca consegui falar a sério com você, que com seus argumentos mais estapafúrdios, me driblava e mudava o rumo do assunto. Tenho saudades do nosso silêncio, quando passávamos horas a observar um ao outro, como a uma tela de televisão. Eu gostava de mergulhar naqueles olhos cinzentos, que deixavam transparecer tanta confiança, mas que eu sempre enxergava um tumulto de pânico. Nesses momentos, você teimava em fugir ao meu olhar, como a tentar esconder aquilo o que só eu conseguia desnudar.

INÚTIL

Também sei mais de você do que de mim.
Agora, com essa distância, eu sinto uma saudade dobrada, porque sou capaz de sentir falta de mim mesma. E que loucura isso. Sou metade de mim e preciso de uma dose de você urgente!

VERDADE?!?

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:19 pm

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“Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar” (Nietzsche).

E você que achou que apaixonar-se era fácil. Depositou vontade e esforço naquilo que nem sabia se daria certo. Confiou naquela pessoa que te fazia rir até dos problemas da vida. Doou-se de corpo e alma a novas experiências e acabou experimentando o amargo da vida. Talvez você tenha acreditado demais em fantasia e ilusões. Quem sabe não esqueceu de informar a ela que era um sonho para ser sonhado junto, como entender?

Acho até que ela foi sincera demais. Só que você não conseguiu suportar tanta verdade. A opção era sua e você optou pelo céu de brigadeiro. Pouca verdade foi a sua opção. E eu já não o condeno mais por isso. Cada um que sabe aonde a dor lhe aperta e quando esta dor é bem aí onde você está sentido, ao lado esquerdo do peito…ah Meu amigo!! Nenhuma verdade deveria ter sido a sua escolha.

Agora não te resta mais nada, apenas pó.

November 1, 2006

MENTIRAS SINCERAS [...]

Filed under: Contos — manuelalves @ 6:03 pm

Engraçado como a vida vira uma roda viva gigante de uma hora para outra. Nas horas mais complicadas ainda consegue-se ver luz lá no finzinho do túnel. Aquele mesmo túnel escuro que aguça a nossa curiosidade todos os dias. Pensamos sempre o que pode ter lá. Se são coisas boas ou ruins. Se vale a pena arriscar. Daí, num belo dia, você resolve forçar aquela sua vista míope e descobre que agora pode enxergar aquilo o que não era de fácil observação. E descobre, da pior maneira possível, que agora vê aquilo o que nem queria ver. O fato é que a falsa verdade ou a verdade em sua parcialidade é muito mais cômoda para nós. Principalmente quando a verdade é dura e crua.

Quem quer transformar em tempestade os seus dias ensolarados? 

Não estou interessada em descortinar as verdades de ninguém. Não quero poder enxergar por trás das máscaras e atuações que já estou acostumada a ver nas pessoas. Não quero ver a raiva por trás da boca que me sorri. Prefiro continuar fazendo uso das fábulas e ilusões. Criando dias de céu azul e passarinhos cantarolando na minha janela. Estou cheia de verdades. Agora só as mentiras me fazem feliz.

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