Manuela Alves

December 26, 2006

O TEMPO NÃO PÁRA

Filed under: Contos — manuelalves @ 1:58 pm

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Fim de ano é sempre assim. As pessoas ligam, passam e-mail, pedem dias melhores. Demonstram a sua generosidade, amizade e companheirismo. Nos demais dias do ano, todos se preocupam tanto com a sua própria vida que esquecem das promessas e desejos ainda não realizados. Parece que ninguém se dá conta de que os dias passam tão rápido que quando nos damos conta, lá se foi mais um ano. Nos últimos 8 anos, me dei conta que eles passaram cada vez mais rápido. Parece que foi ontem que eu estava louca para fazer 18 anos, e agora, me dou conta de que já estou com 26 e nem me dei conta do tempo passando. Hoje desejo poder voltar atrás para viver tudo aquilo o que não tive tempo de viver, por queimar etapas. Etapas estas que não poderão ser reimpressas no livro da minha vida jamais. Como eu queria rever aqueles amigos que se foram ou mesmo aqueles que sumiram depois de uma briga besta. Como gostaria de conversar sobre outros pontos de vista aqueles relacionamentos que, por infantilidade, não vingou. Como seria bacana calar ao invés de brigar com aquele ente querido da família, deixando palavras gravadas numa memória distante, mas que nunca mais vai se apagar. Palavras ditas não podem voltar atrás. A mais pura verdade é que o relógio continua andando, não pára para que possamos consertar os erros e continuar como se nada tivesse acontecido. O certo é que hoje, eu consigo enxergar tudo isso de um ângulo diferente porque os anos me carimbaram com a sua experiência. O amadurecimento é fato. Ou você aprende e se deixa transformar pelos fatos ou continua numa inoperância nada sadia.

Dizer que ama? Que perdoa? Ligar para dizer que tem saudade?

Não preciso esperar o final do ano para isso. E gostaria que você também não precisasse. Ligue hoje, amanhã ou no carnaval se quiser. É só ter vontade e perder esta cisma de que vão te achar ridículo. A vida é só uma, até que se prove o contrário, e eu não quero esperar até o próximo dezembro para mostrar para as pessoas que eu estimo, o quanto eles me são importante.

E se eu não chegar até dezembro?

Quem pode prever o futuro?

Ninguém. E como eu não posso, não tem porque simplesmente arriscar. Vou continuar tentando acertar.

December 21, 2006

AMA-TE A TI MESMO

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:30 pm

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O ciúme destrói as pessoas…. 

Era uma pessoa tão autêntica. Amadurecida mesmo para a idade. Sempre de bem com a vida. Feliz com o trabalho, os amigos e a família. Tinha um probleminha ou outro, mas nunca se deixava abater. Conseguiu o apoio necessário num relacionamento que, desde o início, estava condenado a não dar certo. Mas foi funcionando. E à medida que o tempo passava, eles se fortaleciam. Mas daí caiu na mesmice e com ela, vieram às dúvidas, as cobranças, as brigas. Notava-se que estava cansado. Mas não buscava forças dentro de si mesmo para dar um basta. A companhia já não era agradável e o poder que ela estabelecia sobre ele causava repulsa.  

Como pode alguém fazer outro de marionete?  

Como pode alguém sujeitar-se a ser boneco de corda de alguém? 

Nem os amigos suportavam mais. Era um clima estranho. Pesado. Frases completas de ironias lançadas a ermo. A verdade é que o ciúme havia acabado com o sonho. A simples desconfiança da traição fragmentou um sentimento que não era sólido. E agora, estávamos todos naquela situação. Eles achavam ruim, mas não reclamavam. Nós reclamávamos, mas eles não achavam ruim. E ficávamos todos naquele ciclo infantil e vicioso. Escutando coisas que não nos cabia e nem pertencia. 

O ciúme destrói as pessoas…

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