Manuela Alves

January 30, 2007

RECOLHE OS TEUS CAQUINHOS

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:43 pm

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E porque eu me preocupo com você que insisto sempre na mesma tecla. Onde foi que você se perdeu? Em que parte da caminhada você trilhou o caminho errado? Onde ficaram as suas metas e objetivos?

Agora fica aí. Mostrando ser o que não é e sentindo algo tão feio de ver. Tornou-se amarga, depressiva e cruel. Vomita palavras ácidas e já não é tão mais querida assim. Os maus sentimentos afastam as pessoas. E esta sua mania de se achar o centro do mundo já não funciona tão bem. Nas fases boas possuía realmente o poder de manipular as coisas. Incutia pensamentos e ações sem que nem nos déssemos conta. Mas um dia você cansa de levar tanta porrada e um basta foi necessário para ser obrigada a caminhar com as próprias pernas. Todos seguiram em frente, mas você, que nunca soube perder, continua insistindo em passado e pintando uma imagem de mulher sofredora. Não adianta esconder-se atrás de remédios e amigos que erradamente ainda teimam em passar a mão na sua cabeça. Anda, levanta. Pára de sentir pena de si mesma. É bola pra frente.

Não deu certo?

Faz outro caminho. Crie outros planos. Siga novos objetivos. Se não deu certo era porque não era a hora. Foi bom enquanto durou, mas hoje é passado e só você que resolveu parar no tempo. Nunca é tarde para um recomeço. Não tem essa de idade, de experiência de vida, de costume. Só devemos nos acostumar as coisas boas, as ruins têm é que seguir o caminho do lixo, do apagão da memória. Lamentar-se e humilhar-se não vai te ajudar em nada, ao contrário, vai só atrair pena das pessoas em relação a ti. Não adianta eu ficar aqui te dizendo o que fazer ou não. Só quem sente é que sabe, mas também não me peça para entender todas as suas atitudes. Acho que já deu tempo de secar e curar as feridas. Claro, ainda vai doer por um bom tempo, mas a dor deixará de ser constante para tornar-se esporádica naturalmente. É só você permitir. Anda, já está na hora. Abre os braços e abraça todas essas possibilidades que se impõem à sua frente. Mergulha nesse mar de incerteza. Busca a cura dentro da tua própria dor. Acha o teu sorriso há muito perdido dentro de si mesma.

EU, ESPELHO DE TI

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:36 pm

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Eu parava para pensar: O que eu estava fazendo neste mundo?

Tinha vários amigos. Gente que eu gostava e que gostava de mim de verdade, mas que não era nada, além disso. Tinha amigos, amigões mesmo. Recebia cantadas, declarações, presentes. Mas nada me servia. Parecia que eu estava num eterno rodamoinho de passado. Via e vivia em função do que já era. Vivenciava e presenciava meu passado passar na minha frente. Via a fila andar e eu sempre na mesma. Parecia que o relógio havia parado só para mim. E você era grande parte da culpa do que eu sou hoje. Você alimentava meus erros e devaneios. Você oferecia o ombro para eu chorar. Me dava a oportunidade de consertar as besteiras que eu fazia. Queria me ajudar a consertar minhas incertezas. Corria atrás de minhas dúvidas. Exterminava meus erros e alimentava meus desejos. Me deixava segura. Hoje, sempre que vou dar um passo à frente, eu penso em você. Como você faria, como seria o seu conselho, como me conduziria. Posso ser uma louca, mas me sinto segura sabendo que tenho a quem recorrer. Olho meus amigos, vejo seus medos. Dou conselhos, mas nunca percebi tanta segurança no que eu dizia como nos que eu recebia. Mesmo enrolado, você me passava segurança. Talvez a minha incerteza hoje em dia parta disso. Você já não está mais comigo. Sumiu, desapareceu. Sabe lá o que aconteceu. Mas seus conselhos estão para sempre dentro de mim. Por isso eu penso tanto, eu falo tanto e aconselho tanto. Conselho não se dá, se vende?

Pois você distribuía. E eu morro de saudades desta sua síndrome de filantropia.

January 29, 2007

APENAS ME DEIXE SÓ

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:51 pm

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Bem que dizem por aí que todo bêbado é sincero. Acredito realmente nesta máxima, mas dou-me o direito de interpretá-la de maneira diferente também. Às vezes fazemos ou dizemos coisas que na verdade nem nos importa ou incomoda muito. Só que quando o fato é recente, acabamos dando mais importância do que realmente valeria ou mereceria e então potencializa-se a coisa. Aquela idéia infantil de observar pelo buraco da fechadura nunca me fez bem. Gosto mais da venda no olho, como em um “cabra-cega”. Porque meter o dedo na história alheia? O bom mesmo é deixar a vida correr sem ter que ficar tentando modificar um fato aqui ou outro ali. Sem precisar inventar nomes ou modificar um roteiro pré-fabricado. Não gosto de quebra-cabeça. Gosto de estar em um estado constante de off. É uma maneira discreta de dizer que não tenho nada com a sua vida. Faça o seu e me deixe fazer o meu. E, por favor, não me conte mais nada que eu não queira saber. Respeite o meu estado de transe. Porque agora só estou offline.

January 9, 2007

FICOU APENAS A SAUDADE…

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:17 pm

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Ele sentia falta daquilo o que ela lhe tirou. Mas também sentia muito mais falta daquilo que ela não deixou. Os sonhos foram jogados pela janela, como em uma briga de casal, onde cada um atua da maneira que lhe convém. Os objetivos deixaram de ser conquistados, os sorrisos ficaram presos na cara e as lágrimas não deram mais tanta oportunidade para que este voltasse a aparecer. O relógio parecia ter sido acelerado e alguns meses deixaram a impressão de que foram vividos em 2 segundos. Na prática, todos nós sabemos que relacionamento é troca, é ceder sempre. Não que cedendo você esteja perdendo algo, não é uma guerra e a questão não é esta. Cedendo você está apenas preservando. Mas nem todos os relacionamentos são assim e a sensação que fica no final é de que algo nos falta. Como se houvéssemos doado até o que não tínhamos e a herança agora não desse para ser partilhada. Aqueles 2 segundos ficarão para sempre com ele e os próximos beneficiados com a sua herança, receberão cada vez menos com a sua experiência adquirida.

January 8, 2007

O MELHOR DE VOCÊ ESTÁ EM MIM

Filed under: Contos — manuelalves @ 2:18 pm

 

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Depois de tanto tempo sem te ver, eis que você surge do nada novamente em minha vida. O que foi que o tempo fez com você? Observei de relance cada traço teu, cada movimento, as palavras, o jeito, o sorriso. O teu olhar ainda era o mesmo, só que ele tinha um brilho estranho, que até agora eu não consegui identificar. Fiquei horas a te observar, mas eu olhava e não te via. O modo moleque que te caia tão bem não estava mais lá. Como também não estava lá a tua risada gostosa, agora era só um monte de dentes perfilados que não exprimiam nada. Os cabelos jogados se transformaram num belo penteado executivo e as roupas básicas tornaram-se coisa de um passado bastante remoto. E o teu charme irresistível, onde foi parar? Eu te olhava, mas você não estava lá.  Agora, lembrando bem da cena eu me forço a fazer uma análise:

 Será que eu te criei como gostaria de enxergar ou roubaram o cara perfeito e colocaram este aí no lugar?

 

January 4, 2007

FINGIR PARA NÃO SOFRER

Filed under: Contos — manuelalves @ 1:47 pm

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É interessante tentar observar as diversas perspectivas do perdão. Eu não vou mentir que nunca fui muito dada a aceitar qualquer desculpa. Quem quiser que acredite que perdoar é divino. Eu estou fora da divindade, e pretendo permanecer assim. Respeito a opinião alheia e peço que respeitem a minha. Mas tem certos fatos que não dá para aturar. Às vezes dá uma ânsia. Uma vontade de gritar – Se toca, fulano (a) não merece o seu perdão – ou então – Cria vergonha na cara, tenha amor próprio – só que, ainda, não me vejo falando assim com ninguém. Não gosto de magoar as pessoas que amo. Apesar de achar que o mal que alguns dos meus amigos fazem a si próprio é muito maior. Prefiro acreditar que algum dia a verdade vai se mostrar a estas pessoas, da mesma maneira que qualquer mero observador poder ver. Talvez até já esteja à mostra, mas é que a realidade é bem dura e então eles acabam optando pela fuga. E é tão triste viver assim. Criando fantasias e roteiros belíssimos que são apenas ilusão. Como a poeira, facilmente levada pelo vento. Gostaria de ajudar. Recontar tudo o que de pior foi dito. Relembrar tudo o que foi feito. As maldades. As loucuras e insanidades e até a estupidez dos acontecimentos. São histórias já destinadas ao fracasso. Desgastadas e sem futuro algum. E acredito que quanto mais rascunhadas, pior será o final. Para que permanecer no erro? Será que todo o conteúdo vivido não serviu de nada?

Quer saber? Quem quiser viver de devaneios que viva.

Quer magoar-se? Faça da sua maneira.

Eu é que não vou ficar aqui gastando palavras. Agora serei apenas eu. A amiga espectadora e muda, fingindo que é um filme. E mesmo que eu não goste do final vou seguir em frente à procura de outras histórias com finais mais felizes.

Vai ver que nem todo mundo quer ter um happy end.


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