Manuela Alves

February 28, 2007

O MEU MEDO VEM DE VOCÊ

Filed under: Contos — manuelalves @ 5:14 pm

535227.jpg

 

Tudo parece tão impessoal ultimamente. Não se reconhecem mais amigos como antes. Não é tão fácil encontrar aquela pessoa especial. Até as famílias estão bastante desunidas. E como acreditar nas pessoas? Hoje tudo se trata por e-mail e telefone. Nem é preciso conhecer, de verdade, quem você fala. É certo que em alguns casos desvenda-se muito mais um estranho de rosto do que um amigo íntimo. Mas são raras as exceções e é preciso haver uma entrega e uma disposição à cumplicidade. É como se as pessoas não sentissem mais a necessidade do olho no olho ou não desejassem o toque de pele. Como se não tivessem mais prazer em um abraço apertado. Parece que está tudo errado. Tudo fora do lugar. O que era para aproximar acaba afastando as pessoas. Sinto que estamos cada vez mais longe de quem gostamos. E ao mesmo tempo tão perto. Talvez por isso tudo pareça ser tão fugaz e irreal. É como se estivéssemos interpretando um papel que não nos pertence vinte e quatro horas por dia. Mentir torna-se tarefa muito fácil quando não existe uma busca da verdade no olhar. Porque mentir atrás de uma tela de computador é fácil, mas olhando no olho de alguém, fica difícil. Dizer que ama digitando sete teclas de um teclado é simples, mas convencer com palavras, cara a cara, é bem complicado. As pessoas não se entregam por inteiro, existe sempre aquele resquício da dúvida. Num mundo tão ilusório e efêmero é realmente muita ingenuidade entregar-se ao novo. Tenho medo do futuro e não sei ser moderna. Prefiro o meio antigo de comunicação. Gosto de olhar na cara, de sentir o cheiro e poder ver nos olhos. Por isso não adianta eu ficar justificando o NÃO que digo, pois ele já é um SIM. Nem pensar em maneiras de te esquecer, já lembrando de você. Tenho SAUDADES do passado, SÍNDROMES de solidão e uma eterna INDECISÃO.

February 23, 2007

A TUA BUSCA PELA LOUCURA

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:47 pm

155631.jpg

Já não eram o casal feliz de sempre. A relação foi se deteriorando e evaporando como num frasco de perfume aberto. Quando ela se deu conta, tentou vedar o máximo que podia, no intuito de preservar ainda um pouquinho da essência que impregnava todo o seu coração. Estava magoada, mas disposta a abrir mão de suas convicções e querendo desesperadamente somente aquelas poucas migalhas. Lutou bravamente. Tentou estabilizar um castelo de gelo em pleno deserto. E nem com todo o seu esforço deu certo. Ele já não agüentava mais viver de ilusões, sonhos, histórias que precisam de um final feliz. Não acreditava que tudo pudesse voltar a ser como fora um dia. Era passado e estava determinado a seguir em frente. Alçou novos vôos rapidamente e carimbou o pesadelo em todos os sonhos dela. Por sabê-lo bem, ela busca cavar atenção agindo como uma desvairada. Quer viver 15 anos em 15 segundos. Vive buscando conforto na felicidade dos outros. Imprimindo um sorriso forçado no rosto que chora. Quer recuperar amor e tudo o que obtém é pena.

February 15, 2007

TEU MUNDO EM BELAS CORES

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:40 pm

1.jpg

Fechou mais uma vez os olhos para tentar captar cada detalhe daquele lugar. Lembrou de um passado já bastante distante. Um passado doce e sem preocupações. Observou aquelas flores, já murchas, no vaso. As teias de aranha. A poeira que impregnava cada canto daquela casa. E cada vez que tornava a fechar os olhos, as lembranças ficavam mais fortes. Lembrou do cheirinho de boa comida que perfumava tudo naquela morada alguns anos atrás. Escutou as risadas que ainda ecoavam nos corredores. Os brinquedos espalhados pelo chão lembraram uma infância feliz. O tempo havia passado e deixado a sua marca nos objetos, nos rostos e principalmente, na memória. O crescimento havia chegado para todos, mas observando bem de perto, ainda restavam aqueles que não se davam por vencidos. Só que em relação a todas aquelas informações que vasculhavam a sua mente, tudo parecia tão pequeno. Como um ponto distante na linha do horizonte. A tinta descascada nas paredes servia de prova de que ali, havia história. Triste e feliz, mas história. Então, como que vencido pelo cansaço, juntou os pedaços de si mesmo e deu meia volta. Queria inspiração para a vida, buscou ajuda no passado e este lhe provou que o caminho é o futuro. O passado serve apenas como recordação de um mundinho perfeito, cheiroso e colorido. O presente está em preto e branco, mas o futuro, quem escolhe a cor é você.

February 13, 2007

FALSAS VERDADES

Filed under: Contos — manuelalves @ 5:29 pm

 259675.jpg

Acho graça das pequenas coisas da vida. Tão imperceptíveis que nem sempre nos damos conta. Ultimamente tenho dado bastante valor a isto e consigo diagnosticar mínimas mudanças de comportamento e atitude nas pessoas. Como é fácil fingir sentimentos. Chego até a acreditar que nós é que permitimos sermos enganados. Dói dizer não quando se quer dizer sim, mas dói muito mais escutar um sim, quando a palavra de ordem deveria ser não. Ando meio indisposta com as pessoas em geral. Já derrapei tanto nessa vida que hoje me sinto forte e determinada a só aceitar o que me faz bem. Os amigos já não são mais os mesmos. A família está em constante mudança. Os colegas há muito que desapareceram. E como criar raízes em alicerces tão frágeis? Muito do que se foi dito, hoje me parece frase feita. Minha análise agora, baseia-se em desconstruir o texto e observar pacientemente as entrelinhas. As palavras suprimidas são as que nos dizem as maiores verdades. E, não gosto nada da sinceridade que elas mostram. Se cada um tem que escolher o quanto de verdade que pode suportar, eu não suporto nenhuma.  

February 9, 2007

SAUDADES DE VOCÊ

Filed under: Contos — manuelalves @ 5:22 pm

1045932.jpg

Hoje acordei com saudades do teu sorriso. Faz bastante tempo que não tenho nenhuma notícia sua. Sinto falta da sua voz. A lembrança do teu olhar me deixou triste. Queria saber de você. Como está, por onde anda, se ainda tem síndromes de infelicidade ou se já corre com as próprias pernas. Não sei se sonhei contigo para essas lembranças me atacarem com tamanha força. Só sei que ao abrir os olhos, o meu primeiro pensamento foi você. Como queria conversar, bem devagar, despreocupada com o relógio. Preciso saber cada detalhe da sua vida que eu perdi. Tenho saudades de você sim. Mas tenho ainda mais saudade de como eu era com você por perto. Mas saudades surgem e se vão. E hoje, quando eu for dormir, o meu último pensamento não vai ser você.

Blog at WordPress.com.