Manuela Alves

June 27, 2007

SÓ QUERO ENCONTRAR-ME

Filed under: Contos — manuelalves @ 3:47 am

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“Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.” 

Lispector – A Hora da Estrela 

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Por mais que a trajetória normal da vida teime em me mostrar caminhos mais longos e desafios cada vez mais difíceis de transpor, não consigo deixar para trás essa vontade de que tudo dê certo. Muitas vezes consigo enxergar somente uma pontinha de esperança e é justamente a ela que me agarro. Pode ser que no final o meu plano nem funcione, mas mesmo assim vou permanecer tentando. A minha esperança teima em não morrer nunca. Uma pontinha de sorriso chega a parecer a maior gargalhada que alguém pode dar. Talvez por ser o princípio de tudo. O estopim que poderá deflagrar toda uma explosão de acontecimentos. Gosto de acreditar no amanhã. Aprendo com o hoje e nem sempre as lições são aprendidas de forma fácil. Às vezes é bem duro fazer com que uma determinada idéia seja aceita e mesmo que não concorde, continuo fazendo verdadeiros malabarismos para manter a consciência aberta a experimentar novas perspectivas. Nem sempre funcionou assim, mas após tantas quedas e recomeços me deixo levar pela correnteza dos acontecimentos. Às vezes pareço até uma criança correndo atrás de um balão que o vento insiste em jogar para longe. Às vezes o perco de vista, mas ele sempre retorna para me fazer acelerar novamente os meus passos.

June 21, 2007

UM ESTRANHO CONHECIDO

Filed under: Contos — manuelalves @ 8:59 pm

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“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”

Clarice Lispector – Perto do Coração Selvagem

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A partir daquele dia passei a dar mais valor as oportunidades que surgiam. Já deixei passar tanta coisa boa. Simplesmente não dava valor. Nunca me dei conta de que cada momento é único e que o tempo realmente não volta atrás ao meu simples desejo. Quantas e quantas vezes deixei que você passasse por mim. Quantas vezes permiti que você me escapulisse por entre as mãos. Talvez por medo, optei por não acreditar naquilo que você me dizia. A verdade é que hoje, tanto tempo depois, me sinto um tanto culpada por esta situação. Você não é, nem de longe, o espelho daquele brilho que um dia refletiu. Gostaria de saber onde escondeu as suas virtudes e anseios. Preciso descobrir o que te fez desejar ser outro alguém. O que te fez mudar. Sinto falta daquela outra pessoa. Gostaria de reencontrar aquele outro alguém e tudo que consigo ver é esse ser estranho que teima em me mostrar um sorriso que eu já nem conheço mais. Eu gostava mais do seu antigo eu.

June 12, 2007

MAIS QUE ONTEM E MENOS QUE AMANHÃ

Filed under: Contos — manuelalves @ 6:38 pm

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Não há infortúnios pelos corações fracos. “O infortúnio quer um coração forte.”

Dostoiévski

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Passei um dia vivenciando quatro anos. Notei tanta diferença que, ao final do dia, eu já nem era mais a mesma. Os traços tristes e feios deram espaço ao lugar comum. Eu via tanta evolução naquelas histórias que era como se nunca tivesse me enxergado como o espelho me mostrava. Os anos já eram evidentes em cada traço do rosto. As palavras, hoje mais maduras, também eram facilmente notadas. As conversas já não eram mais as mesmas e nem a maneira de pensar. E mesmo assim, não me via como realmente era. Precisava passar por essa experiência. Reviver cada história, reimprimir cada linha já impressa. Consertar os erros, reposicionar as palavras ditas e mudar os significados. Antes tudo parecia fazer sentido, hoje não passam de idéias desconexas e deprimentes. Fiz questão de recontar todos os fatos que eu não gostei e enfeitei a minha maneira. Estampei sorrisos no lugar de lágrimas e recolhi toda aquela angústia constante. Revivi cada trecho e pude lembrar aquilo o que eu pensava na hora da inspiração, sentia tudo novamente e fui capaz de recordar os comentários. Vivi de passado por algumas boas horas. Chorei e sorri novamente. Lembrei daqueles que perdi e das pessoas que ganhei com aqueles desabafos insanos. Amei e odiei com tanta convicção que foi como um segundo primeiro encontro. Um encontro comigo mesma, um encontro com a minha origem e as minhas tentativas de acertar.

 

June 5, 2007

O FIM (?)

Filed under: Contos — manuelalves @ 12:00 am

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Um quê mal definido,
acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro. 

Se se morre de amor – Gonçalves Dias
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Acabou?
…É! Acabou.
E amor se acaba?

Quando é paixão, sentimos as pernas bambas e o coração acelerado. Com o tempo o doce vira amargo e tudo vai embora do mesmo jeito que veio, do nada. Mas amor, amor é pra sempre. Quando é amor de verdade o sentimento nunca acaba. Vira carinho, vira respeito, compreensão. Amor não é passageiro, é duradouro. Casamentos não precisam ser para a vida toda e só funcionam quando as duas partes estão interessadas. Quem casa por amor não termina casamento com brigas. A pessoa deixa de ser amante para tornar-se amigo. Ninguém acaba casamento dizendo que “morgou”. Ou você tem ou não tem um motivo. Não dá simplesmente para chegar numa noite e dizer que quer ficar só, até porque ninguém deseja ficar só, faz parte do inconsciente das pessoas, ninguém quer a solidão. Não me venha com essa de que enjoou ou desencantou. Amor não desencanta, se fortalece. Quer experimentar? Viver aventuras? Ter um sonho de liberdade? Entendo! Mas não apoio. E não me chame de careta, de cristã ou de hipócrita. A culpa é sua que não me deu argumentos sensatos para que acreditasse e entendesse você. Crises foram feitas para ser superadas e obstáculos transpostos. Ninguém consegue passar corretivo nas páginas das histórias passadas e seguir em frente, como se aquilo nunca tivesse acontecido. Não existe borracha, caneta especial ou lápis ultra moderno. O rascunho já não pode mais ser passado a limpo. Mas novas páginas ainda devem ser escritas e só depende de você. Vai optar por um final com happy end ou gosta de um pouco mais de realidade? Agora só depende de você, o seu castelo você construiu e cercou a sua maneira. E não te resta outra alternativa que não a de seguir em frente. Os caminhos são íngremes e às vezes o ar torna-se rarefeito, mas com paciência é possível chegar lá.

Só não me venha com essa de que o amor acabou…talvez, ele esteja apenas começando.

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