Manuela Alves

September 20, 2007

CORRENDO ATRÁS DOS RISCOS

Filed under: Contos — manuelalves @ 4:44 pm

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Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
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Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

Quase – Mário de Sá Carneiro

 

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Eu realmente sei que ninguém pediu a minha ajuda, mas é mais forte do que eu. Já que não consigo preencher o meu vazio, penso que ao menos posso tentar ajudar meus amigos a serem pessoas mais completas e, não adianta reclamar, eu vou me meter sim na sua vida. O mais interessante nisso tudo, é que esta história já é fadada ao impossível, pois começou errada e a cada novo capítulo os erros se acumulam mais e mais. Acredito que por nem eu mesma apostar nessa relação é que torço para que as coisas dêem certo. Você sempre tenta me explicar a sua “verdade”. Acredita piamente na concepção das suas intransigências e fica protelando que o placar saia do zero a zero. Talvez não seja a pessoa mais qualificada para falar de amor, mas certamente posso falar de medo. Tenho a impressão que o seu medo os mantém afastados. Na verdade, fica um jogando a culpa no outro e desfiando um rosário de desculpas. Tempo, distância, fidelidade, confiança. É motivo que não acaba mais, só que o medo está sempre te rondando. E já não adianta mais criar subterfúgios para diagnosticar uma doença que está impregnada aí dentro. O medo impede certas ações e bloqueia os verdadeiros sentimentos. Eu sei que você já se deu conta disso. Gostaria de poder mostrar como está se escondendo de você mesmo, mas estou cansada de falar sozinha. Até ouvi suas explicações de que está sozinho porque quer, mas sinceramente não acredito nisso. Ninguém escolhe ficar só e até os mais machistas e as mais feministas terão que concordar comigo. O ser humano não nasceu para ficar só, precisa de uma companhia para dividir o pesado fardo do dia-a-dia. É triste chegar em casa e não ter com quem conversar. É horrível escutar os seus pensamentos quando a casa toda está em silêncio. Então não me venha com essa de que é o dono da verdade e que está muito melhor sozinho porque eu não vou engolir. Talvez por se enganar tanto, você até já acredita nessa fantasia. O que você precisa entender é que os seus esforços estão sendo em vão e o seu discurso é incoerente e hipócrita. Apesar de afirmar que precisa se fixar a alguém você só busca relacionamentos superficiais e vazios, porque sabe que estes já estão previamente condenados. O interessante é que ainda se engana achando que está usando, quando na verdade está sendo usado. Você está cada dia mais vazio e não está aprendendo nada de bom com essas relações fortuitas, enquanto não perceber o mal que está fazendo a si mesmo, ninguém vai fazer sentido na sua vida. Permite constantemente que pessoas certas apenas passem pela sua vida, sem deixar nenhuma marca. Eu sei das marcas do seu passado e talvez ainda não estejam cicatrizadas, mas impedir-se de tentar não vai fazer com que não se machuque. Acredite, se alguém tiver que te magoar, vai fazer sem que você autorize. Porque a vida é assim e todo mundo tem defeitos. O que eu te peço é que antes de ver os defeitos, se prenda às qualidades. Às vezes uma qualidade vale mais do que muitos defeitos. Então, abra o seu coração, se jogue no impossível e entenda que se não der certo, você ao menos terá tentado. Ninguém é feliz de braços dados com o medo. Ouse e perceba que você é capaz.

September 13, 2007

ME ARREPENDO

Filed under: Contos — manuelalves @ 2:23 am

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Qual foi a semente que você plantou? Tudo acontece ao mesmo tempo. Nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo. E daí, de hoje em diante. Todo dia vai ser o dia mais importante. 

Legião Urbana – Eu era um lobisomen juvenil

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Por onde foi que eu andei que nunca te encontrei. Para onde é que eu olhava que nunca te enxerguei. Será que não sentia o perfume que me rodeava e que hoje sinto todo em você? O certo é que já perdi muito tempo com bobagens vou continuar calada, procurar algo interessante na TV, ou quem sabe pedir um lanche, s e de escutar os pr, tempo que não volta atrás, tempo que é irrecuperável e que passa rápido demais. Quando me repreendia pensando que estava sempre me envolvendo com as pessoas erradas e não fazia nada para mudar, deixava que me roubassem o melhor que havia em mim, a minha essência, a minha certeza, a minha verdade. Nem falo mais em migalhas, pois nunca senti que fosse assim. Talvez aquele pouco fosse muito, só que hoje percebo que quero muito mais. Não quero mais ser o segundo plano de ninguém, hoje é tudo ou nada. E por perder tanto tempo com pequenas histórias, deixei de viver grandes momentos. Fingia para mim mesma que estava tudo bem e não escutava aquilo que você teimava em me falar. Escutava os seus murmúrios, mas não definia o som. Sofria de uma surdez provisória e depois descobri que também mantinha os meus olhos vendados. Ficava acreditando que as coisas iam mudar, mas nunca mudavam. E quando eu parei hoje para escrever esse texto, nem me dei conta do motivo que me impelia para isso. Não que precisasse de um motivo, mas era algo que eu sentia e que incomodava só que mesmo assim, eu não conseguia expressar. Em determinado ponto parei. Parei porque achei tudo meio sem sentido, um monte de letras que não diziam nada. Saí de casa e numa dessas conversas coletivas, escutei alguém dizer que vivemos reclamando que fulano ou sicrano nunca muda e que nós acabamos esquecendo de cobrar a nós mesmos uma mudança. Daí tudo fez sentido. As minhas dúvidas e angústias. As minhas cobranças e desesperos. As minhas frustrações por nada. Descobri que não quero mais passar um verniz na cara só para mostrar brilho naquilo que não me pertence. Eu preciso fazer brilhar o meu espírito, o meu coração e a minha consciência. Perdão por não ter te enxergado antes. Agora que já estou consciente disso, prometo desvendar os olhos e conservar a minha vista bastante apurada.

September 7, 2007

MEUS BONS AMIGOS

Filed under: Contos — manuelalves @ 10:54 pm

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Tente

E não diga que a vitória está perdida

Se é de batalhas que se vive a vida

Tente outra vez. 

Raul Seixas

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Tem dias que a gente sente necessidade de gritar. Talvez por passar tanto tempo repleta de pessoas a minha volta é que o silêncio me incomoda tanto. Diariamente a minha rotina é praticamente a mesma, quando chego do trabalho vou logo ligando televisão e computador, quase simultaneamente. Preciso de barulho e essa é uma característica que é mais forte do que eu. Não consigo controlar. Só que nem sempre,  meu objetivo é alcançado. Já ouvi alguém dizer que algumas pessoas são assim mesmo e que fazem isso, de ligar equipamentos sonoros, para evitar a possibilidade de escutar os próprios pensamentos. Acredito que esta teoria faz sim um pouco de sentido. Tentamos constantemente nos esconder dentro de nós mesmos porque a verdade simplesmente dói e nos incomoda. Criamos personagens todos os dias e vestimos figurinos para compor personalidades que inventamos. Passei por algumas experiências em que daria tudo para somente escutar os sussurros que a minha mente e o meu coração discursavam, só que nesta época eu estava surda e por mais que tentasse, não ouvia. Hoje escuto, e a minha mente grita. Não sei exatamente em que ponto da vida tornei-me uma pessoa com características audíveis, só sei que foram tantas experiências que nem eu mesma seria capaz de relacionar. E já não me satisfaz o simples ruído dos meus equipamentos eletrônicos. Não me basta decorrer horas de conversas com amigos via computador. Eu preciso de coisas reais. Preciso de voz, de toque, de imagem. antes, um computador ligado e alguns amigos on-line me faziam a pessoa mais feliz do mundo. Hoje preciso sair de casa, usar o telefone, olhar nos olhos dos outros. E nesses últimos dias eu estava assim, precisando ver gente, precisando falar. Só que não foi possível e mesmo sentindo agora uma vontade enorme de gritar, vou continuar calada, procurar algo interessante na TV ou quem sabe pedir um lanche, para conversar um pouquinho com a pessoa do restaurante e o porteiro do meu prédio, depois puxar a coberta e dormir, para no meio da noite acordar e ter a certeza de que tudo não passou apenas de um pesadelo. Amanhã é um novo dia.

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