Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade
A seta e o alvo (Paulinho Moska/ Nilo Romero)
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Respirou fundo para introduzir todo aquele aroma aos pulmões. E sentiu quase uma felicidade descabida para o momento. O sorriso veio quase que instantaneamente a sua face. Aquele cheiro, tão familiar, lhe trazia boas e más recordações. Já fazia bastante tempo, mas ela não esquecia e aquele cheiro reacendeu todo um turbilhão de sentimentos. As lembranças já não lhe machucavam tanto o peito, mas a saudade inundava toda a sua existência. Vez ou outra podia sentir aquele perfume impregnado em seu travesseiro ou no meio de suas roupas. Mesmo que estas vestes houvessem acabado de retornar na lavandaria. Por vezes aquela essência era tão presente que enganava-se, achando que talvez ele estivesse realmente ali. Ainda agora, varria cada mínimo compartimento daquele ambiente à procura dele. Não podia evitar, era o seu inconsciente trabalhando, e no fundo sempre restava a esperança de um reencontro ao acaso. Só que este dia nunca chegava. Já fazia anos e nunca mais soubera nem notícias dele. Ficara com as lembranças daquela despedida gélida. Guardava consigo o anel de um pedido irreal. O restinho do seu perfume ainda estava sob a penteadeira. As cartas continuavam meio amarrotadas no fundo do armário. A cama ainda não havia sido trocada. E o amor que sentia, não dava sinais de que fosse lhe abandonar tão cedo.



