Foto: Paulo barbas
“Um fim de tarde com toda a sua beleza não cabe no tempo. E por isso ele se vai. O bonito é vê-le desprender-se do que é. A beleza está nos intervalos, nos espaços de luz em que a sombra já se mostra. A mistura que evidencia o passar da beleza. O encanto mora aí.”
Fábio de Melo
Agora estava em busca de novos horizontes, andava com saudade dos sorrisos dos velhos tempos. Mostrava-se disposta a novas possibilidades, novos conhecimentos e novas histórias. Andava dando importância a fatos que antes nem reparava. Procurava julgar menos e agir mais. Talvez o tempo tivesse servido de remédio para sarar as feridas e desmascarar as falsas verdades. Não sabia ao certo a razão, mas andava se afastando do que lhe parecia irreal e pouco confortável. Queria sugar a essência de tudo. Meias verdades agora eram apenas descartáveis. Precisava de verdades absolutas, incontestáveis e revolucionárias. Agora tinha plena convicção que a inconstância das coisas é que nos faz mais feliz. O definitivo nos deixa imóveis, prostrados numa realidade inventada. Preferia a mutação das coisas. Viver um capítulo por dia, sempre com finais diferentes. Dias bons e ruins. Dias de sorrisos e de lágrimas. Felicidades e tristezas. Frustrações e realizações. Amores e desamores. Isso lhe trazia vida, realidade e felicidade. Ultimamente buscava somente desprender-se de si mesma para tornar-se uma mera espectadora de suas vivências.
