
Foto: Adhil Rangel
“Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!”
Lispector
Não sou do tipo de pessoa que você queira conhecer, mas já que insiste é bom saber algumas verdades. Antes de mais nada, não gosto de prisões, abrace, ligue, mas me deixe livre. Adoro meias verdades, mas isso não significa que goste de mentiras. Fale apenas aquilo que você tem certeza de que não vai magoar ninguém. Se amo a poesia, isso não me faz alucinar por declamadores de textos baratos ou mesmo os confiscados dos clássicos da literatura. Se você acorda sorrindo e proclamando bom dia aos quatro ventos, entendo, mas peço que respeite o meu mau humor matinal, ele faz parte do meu despertar diário. Odeio receber ordens então não me lance olhares de reprovação, isso não me faz achar que sou perfeita, mas não tente me moldar ao seu agrado. Detesto atrasos e a cadência dos ponteiros que me roubam a juventude. Estou sempre em busca de algo que talvez eu nunca venha a ter, mas o desafio me alimenta a alma. Tenho muitos amigos, alguns construíram muito daquilo o que eu sou hoje, portanto, nunca entre em confronto de preferência com nenhum deles, talvez você não venha a gostar da minha escolha. Gosto de praia, não do mar. Gosto de sombra, mas amo o sol. Admiro a poesia contida na foto. Relexo, luz, silhueta, cor, contraste. Sou livre e isso não significa que não viva em uma prisão. Sorrio quando estou triste e dou gargalhadas quando estou prestes a chorar. Vivo em meio a um turbilhão de dualidades, como na arte barroca, em constante amostragem do claro e escuro. Sou complexa, redundante, multifacetada. E você tão correto e invariável. Não percebe que não vamos muito longe? Ah! Já havia esquecido de esclarecer que não acredito em amor a primeira vista e nem em príncipes encantados. Já passei da idade de crer em happy end. Também não entro em histórias com roteiros de fábulas infantis. Fazer o que? Sou assim e às vezes nem eu mesma gosto de mim.
