
Foto: Mari Hummel
“Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens…
não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue: É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu. “
Cecília Meireles
Por hora eu só buscava um pouquinho de entendimento e nada mais. E talvez isso decepcione você, mas eu não sou essa pessoa controlada e tão certa de mim. É que nas horas de desespero, visto essa fantasia de fortaleza instransponível. Mas basta um mínimo sinal de ataque para as muralhas irem todas ao chão. Você também deveria saber que sofro com o desconhecido. Tenho verdadeiro pânico do inesperado. Odeio mudanças e não me adapto facilmente a novos ambientes. Primeiro por não costumar dar o benefício da dúvida para as pessoas e depois porque me apavoro com sorrisos sinceros. Também não acredito em bondades despretensiosas, estou sempre em busca da segunda intenção. Da verdadeira intenção. Esses dias, ando dormindo apavorada, acordo no meio da noite rezando para que o sol demore a nascer e talvez durante o dia, me pegue, vez ou outra, torcendo para os ponteiros se deslocarem com maior urgência em meu relógio. Às vezes penso em ligar pra você. Falar amenidades. Saber dos seus dias e contar um pouco dos meus. Não tudo, apenas os capítulos mais sãos. Mas você vai saber disso e também vai saber que eu tenho medo, só que o meu medo maior é começar a gostar de toda aquela renovação. Deixa os dias ficarem comuns novamente, talvez eu possa te ligar e dizer que tudo aquilo já está velho e que agora eu posso começar a gostar.

