Manuela Alves

September 15, 2009

MINHAS VERDADES

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:10 pm

Kristinna

Foto: Kristinna

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom / Daqui não / Eu vivo a vida na ilusão / Entre o chão e os ares / Vou sonhando em outros ares, vou / Fingindo ser o que eu já sou / Fingindo ser o que já sou / Mesmo sem me libertar eu vou.

Marcelo Camelo – Liberdade

Deixei me conhecer e agora isso é tudo o que sobrou. Algumas fotos rasgadas, o silêncio e esse vazio que sempre me toma de surpresa. O seu sorriso não sai dos meus pensamentos, e vez por outra me pego lembrando de você, que partiu sem mais explicações e deixou com a saudade, uma pequena parte que sempre me faz metade. Eu queria ser completa, mas sem você por perto me sinto cada vez menor. Hoje vejo que muito do que eu era, vinha de você. A empolgação, o riso fácil, as muitas inspirações. A poesia e a fantasia há muito se perderam de mim, ou eu delas. Queria poder dizer mais. Construir sonhos em alicerce e não castelos de areia. Onde você largou a minha confiança? Porque me ofereceu algo que não podia dar? Sei que preciso me livrar dessa ânsia que me sufoca e dessa história que está cheia de rabiscos. A verdade é que tenho medo de no meio do caminho me perder da única metade que me sobrou. É tudo o que eu tenho e por enquanto ainda não estou pronta para arrancar você de mim. Hoje eu sei que as lembranças me fazem real.

September 13, 2009

VIRANDO AS PÁGINAS

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:58 pm

ingridnirve

Foto: Ingrid Nirve

“E qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer. A memória é uma vasta ferida.”

 Chico Buarque, in Leite Derramado

 

E só de pensar em porque passo tanto tempo omissa, me incomoda. A verdade é que o real me faz menor. Há quem goste de verdades absolutas, mas nunca neguei que mentiras sinceras me fazem bem. Por vezes me pego a observar o comportamento alheio. Não é porque eu faça muito que irei receber muito, às vezes recebo bem menos do que retribuí. E não é uma entrega intercambiável. É gratuita. Mas não nego que fico chateada quando percebo que a recíproca não é verdadeira. Acho que sentimento precisa ser mútuo. De amor, de amizade e até de camaradagem. Não quero e nem preciso ser estepe de ninguém.  E esse tipo de pensamento me faz menor. Como se abrisse mão daquilo que sempre acreditei. Acredito muito no é ou não é. Sem meio termo. Odeio covardia e prefiro a radicalidade. Se ainda me olham com receio, não posso fazer nada. Sou assim. Emburrada quando não gosto, chata quando me incomodam e receptiva quando me tratam bem.

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