Manuela Alves

September 13, 2009

VIRANDO AS PÁGINAS

Filed under: Contos — manuelalves @ 11:58 pm

ingridnirve

Foto: Ingrid Nirve

“E qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer. A memória é uma vasta ferida.”

 Chico Buarque, in Leite Derramado

 

E só de pensar em porque passo tanto tempo omissa, me incomoda. A verdade é que o real me faz menor. Há quem goste de verdades absolutas, mas nunca neguei que mentiras sinceras me fazem bem. Por vezes me pego a observar o comportamento alheio. Não é porque eu faça muito que irei receber muito, às vezes recebo bem menos do que retribuí. E não é uma entrega intercambiável. É gratuita. Mas não nego que fico chateada quando percebo que a recíproca não é verdadeira. Acho que sentimento precisa ser mútuo. De amor, de amizade e até de camaradagem. Não quero e nem preciso ser estepe de ninguém.  E esse tipo de pensamento me faz menor. Como se abrisse mão daquilo que sempre acreditei. Acredito muito no é ou não é. Sem meio termo. Odeio covardia e prefiro a radicalidade. Se ainda me olham com receio, não posso fazer nada. Sou assim. Emburrada quando não gosto, chata quando me incomodam e receptiva quando me tratam bem.

2 Comments »

  1. Lindo…

    Me identifico muito com esse texto.
    Adoro todo o conteúdo desse site.

    abraço

    Comment by Géssica — September 19, 2009 @ 4:52 am | Reply

  2. “Emburrada quando não gosto, chata quando me incomodam e receptiva quando me tratam bem.”

    qq semelhança comigo, é mera coincidência eim? kkkkkkk
    Era mais ou menos isso que eu tava querendo dizer…

    Amo tu, do jeitinho que lhe é peculiar! Xêro

    Comment by Déborah Marques — October 21, 2009 @ 5:42 pm | Reply


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