
“O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto”.
Fernando Pessoa
Acordou com uma sensação de que o ontem não existiu, uma certeza que era capaz de desconstruir todos os devaneios que um dia visualizou. Era como se houvesse acordado de um sono profundo e falso. Agora a realidade batia a porta e a obrigava a despojar-se de todos os contos de fadas. Necessitava com todas as suas forças de uma grande dose de realidade. Abandonar as coisas de menina e mergulhar de cabeça na vida real. Obedecer ao relógio. Tirar o sorriso bobo da cara e assumir um ar mais sóbrio e confiante. Organizar a agenda e dar mais valor aos estudos e ao trabalho. Precisava sair da estagnação e da ilusão de que tudo são flores, festas e sonhos. Constituir família, carreira e histórias. Traçar metas e segui-las. Abandonar amores que nunca a levaram a nada, porque merecia amor de verdade. Amor palpável e sincero. Amor adulto e comprometido. É verdade que desfazer-se de algumas lembranças lhe doeram no fundo da alma, mas entendia que era preciso seguir um novo objetivo. Deletou e-mails, telefones e rasgou fotos. Olhou com desapego cada objeto que remetesse alguma lembrança de dependência de algo ou alguém. Queria traçar novas linhas e escrever novas histórias, com desfechos de final feliz. E então, ser protagonista e não mera coadjuvante da própria biografia.
Manu,
Um escândalo de tão perfeito!
Beijo, gata garota!
Comment by Déborah Marques — November 18, 2009 @ 10:05 pm |