“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.
Paulo Leminski
Talvez por cansaço ou por ouvir o barulho da chuva batendo na janela, a rua enfim silenciosa e a escuridão do quarto, ontem eu lembrei de você. Um pensamento que veio do nada, sem motivo algum e que me roubou um pouco de tempo de sono. Pensei em como, com toda a sua imperfeição, você sempre pareceu mais que perfeito para mim. Mesmo com a sua indisponibilidade você estava sempre presente. Em como na ausência a sua presença era sentida. Porque você é o tipo do cara que não promete que vai ligar, mas liga. Que não se diz romântico, mas é. Que não garante surpresas, mas que sempre surpreende. Busquei alguns defeitos, mas não achei nenhum. Gostaria de te culpar por eu ter me afastado, mas não deu. Quer saber? Não me arrependo. A sua perfeição me refletia imperfeita e posso garantir que aquela história de que os opostos se atraem é uma grande mentira. Estamos em constante busca pela simetria e eu não sou diferente. Eu quero é poder mostrar os meus defeitos, que não são poucos. Quero carregar as minhas cicatrizes com orgulho. Quero ter o benefício do perdão. Quero ter o direito de, às vezes, decepcionar algumas pessoas e saber que ainda assim serei amada. Não quero ser lembrada como a que não comete erros, porque eu sou feita de muito mais erros que de acertos. Quero apenas continuar a ser o que já sou. E quem me conhece sabe que falo o que penso, sabe que peso nas palavras e que não me importo se o que foi dito não volta atrás. Talvez por isso, somente ontem foi que eu me dei conta de que talvez você fosse perfeito, mas não para mim. Sem ressentimentos, adeus.


Você enche os nossos olhos de cores com os seus lindos textos. Por favor, jamais para de escrever!