SEM MEIO TERMO…

Foto: Caroline Buranelli – Olhares.com

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo”.

Hermann Hesse

Bastava um sorriso sincero, uma palavra bonita, um olhar cúmplice, um abraço acolhedor. Bastava a alegria de saber-se junto, de sentir-se presente. Mas as necessidades mudam. Sou mutante por natureza e, mesmo que não possa assumir, nunca estou satisfeita. E é exatamente esse sentimento de descontentamento constante que me move. Que me torna mais sagaz, que me impulsiona e liberta. Não me contento com pouco porque já passei, há muito, da fase das migalhas. Não quero ser a metade de ninguém, quero ser a extensão, o complemento, o tudo. Quero o muito, o máximo e o melhor. E porque eu quero muito é que é tão difícil. Mas isso não me faz retroceder. É justamente daí que vem todo o meu impulso, é o motivo pelo qual corro e grito tanto. Tenho necessidade em ser ouvida. Mas não só com os ouvidos, quero que me ouçam com o coração. Quero apego, determinação, atitude e saudade. Já cansei de meios termos. A fase das metades ficou junto com a das migalhas e agora eu só quero se for para ser completo.

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