TEMPO DE SAUDADE

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“Tudo o mais que acontece, nunca antes sucedeu. E mesmo que sucedesse, acontece que esqueceu. Coisas não são parecidas, nenhum paralelo possível. Estamos todos sozinhos. Eu estou, tu estás, eu estive”.

Paulo Leminski – Toda poesia

Tenho sentido saudades de uns tempos aí. Às vezes, acordo no meio da noite e perco o sono, lembrando de como a vida era simples. Tem dias, que naufrago em meus próprios pensamentos, entre as muitas demandas do trabalho, como se saísse do ar por alguns segundos, analisando como as pessoas eram mais acessíveis. Outras vezes, uma palavra me remete ao passado ou um cheiro me transporta para dias felizes, porque a minha saudade tem gosto, perfume e som – que pode ser música, mas também pode ser voz – o que é uma loucura, pois posso jurar que, às vezes, eu realmente chego a te escutar, e é bom acreditar nisso!

Eu ando com saudades daquilo o que não foi, das palavras que ficaram mudas, dos sorrisos que travaram na boca, do vazio que ficou no peito. Ando lastimando o telefone que ficou em silêncio, as notícias que estão tão escassas e esse abismo que se tornou intransponível entre nós. Quem diria que estaríamos assim? Quem imaginaria que tudo aquilo virasse pó, levado pelo vento e perdido em meio ao tempo? Sabe, eu sinto a sua falta!

Gostaria de pensar que ainda tem como revertermos isso. Que ainda podemos ser amigos. Que essa distância pode ser diminuída. Mas a quem eu estou enganando? A verdade é que ninguém mandou você embora, você simplesmente foi, e não adianta eu ficar aqui, tentando montar um quebra-cabeça sem as peças corretas. A questão é que você seguiu em frente e eu fiquei aqui, olhando para trás.

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